Minas Gerais, maior produtor de café do Brasil, deve colher 33,4 milhões de sacas de café arábica em 2026, segundo a primeira Pesquisa Safra Café, do Sistema Faemg Senar. O resultado interessa diretamente ao Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, regiões que estão entre os principais polos cafeeiros do estado, e também ao consumidor, que vem acompanhando nos últimos anos a forte escalada do preço do produto nas prateleiras.
O estudo ouviu produtores de 5.155 propriedades distribuídas por 269 municípios e, segundo a Faemg, alcançou cerca de 90% da produção mineira de café arábica. A estimativa de 33,4 milhões de sacas é 1,8% superior à previsão apresentada pela Conab em maio e 4,7% acima da projeção do IBGE. O resultado também representa um avanço expressivo em relação à produção mineira de 2025.
A melhora da oferta ocorre depois de safras afetadas por condições climáticas adversas. Em 2024, Minas Gerais produziu 28,1 milhões de sacas, segundo levantamento da Conab citado pelo Governo de Minas. Na safra de 2025, a produção estadual ficou em aproximadamente 25,8 milhões de sacas. Para 2026, a projeção da Conab já apontava 33,4 milhões de sacas, praticamente o mesmo volume agora estimado pela Faemg.
O clima, porém, continua sendo uma preocupação para os cafeicultores. De acordo com a pesquisa da Faemg, cerca de 40% da área de café avaliada sofreu algum impacto de eventos climáticos, como altas temperaturas, períodos de seca, veranicos e chuvas mal distribuídas. Os problemas atingiram principalmente a fase de formação dos frutos e obrigaram produtores a intensificar o manejo das lavouras, com maior atenção à nutrição, controle de plantas daninhas e irrigação.
O impacto desses problemas ajuda a explicar parte da trajetória recente dos preços. Em maio de 2025, o café moído acumulava alta de 82,24% em 12 meses, segundo o IPCA. Em 2026, porém, o movimento começou a se inverter: até julho, o produto acumulava queda de 17,2% em 12 meses, a maior redução registrada desde o início do Plano Real, em 1994. Ainda assim, o recuo não eliminou toda a alta acumulada no período anterior.
A perspectiva de uma safra maior pode contribuir para manter esse movimento de acomodação dos preços, mas não significa que o café ficará automaticamente mais barato na mesma proporção do aumento da produção. A própria Faemg aponta que os custos de produção continuam elevados e que a volatilidade do mercado permanece. Além disso, o preço pago pelo consumidor depende de toda a cadeia, desde o produtor até beneficiamento, indústria, transporte, distribuição e varejo.
A estimativa oficial de 2026 indica que Minas deverá responder por cerca de metade da produção brasileira, com 33,43 milhões de sacas dentro de uma safra nacional estimada em 66,7 milhões. O estado também concentra 58,7% da área brasileira cultivada com café arábica.
O Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba aparecem como uma das áreas de maior expansão da cafeicultura em 2026. Pelos dados do Ministério da Agricultura, a região, que inclui o Cerrado Mineiro, tem previsão de produzir 7,65 milhões de sacas, contra 4,77 milhões em 2025, crescimento de 60,2%. Entre os municípios de destaque da cafeicultura mineira estão Araguari e Monte Carmelo, reforçando a importância regional do grão para a economia do Triângulo.
Além de medir a produção, a nova pesquisa da Faemg pretende criar uma série histórica para acompanhar o comportamento das safras e auxiliar o produtor nas decisões de comercialização. A ideia é que informações mais próximas da realidade das lavouras ajudem cafeicultores a decidir quando vender, armazenar ou negociar antecipadamente a produção. Para o consumidor, o efeito mais importante pode estar justamente aí: uma oferta maior e mais previsível reduz a pressão provocada pela escassez, embora fatores climáticos e de mercado continuem determinantes para o preço final da xícara e do pacote de café nas prateleiras.
(Foto/Faemg)