A Meta começou a testar as chamadas Notas da Comunidade em 16 países da América Latina. O recurso, já utilizado nos Estados Unidos, permite que usuários contribuam com informações para dar contexto a publicações consideradas potencialmente enganosas.
A mudança faz parte da estratégia da empresa de ampliar o modelo de moderação baseado na participação dos próprios usuários e reduzir a dependência do programa tradicional de checagem de fatos realizado por organizações parceiras.
As Notas da Comunidade podem aparecer em publicações do Facebook, Instagram e Threads quando um número suficiente de colaboradores considerar que aquele conteúdo pode se beneficiar de informações adicionais.
O sistema permite que usuários cadastrados como colaboradores escrevam notas para explicar, contextualizar ou corrigir informações presentes em uma publicação.
Para participar, é necessário ter pelo menos 18 anos, possuir uma conta no Facebook, Instagram ou Threads criada há no mínimo seis meses e não ter cometido violações recorrentes das regras das plataformas.
Uma nota não aparece automaticamente após ser escrita. O sistema considera a avaliação de outros colaboradores para determinar se o conteúdo é considerado útil.
A ferramenta foi criada originalmente pelo Twitter, em 2021, e posteriormente passou a ser utilizada pelo X, após a aquisição da plataforma por Elon Musk.
A Meta anunciou em janeiro de 2025 que encerraria seu programa de checagem de fatos nos Estados Unidos e adotaria as Notas da Comunidade no lugar do modelo utilizado até então.
No sistema anterior, organizações independentes verificavam informações publicadas nas plataformas. O programa da Meta funciona em mais de 26 idiomas e reúne dezenas de veículos e organizações de checagem em diferentes países.
Com a mudança, a empresa passa a apostar em um modelo de participação coletiva para acrescentar contexto às publicações.
A mudança também provoca debates sobre os riscos de deixar parte da moderação nas mãos dos próprios usuários.
Uma das preocupações é a possibilidade de pessoas mal-intencionadas utilizarem o sistema de forma coordenada para tentar validar informações falsas ou manipular a avaliação das notas.
O Conselho de Supervisão da Meta já alertou que a adoção do modelo em escala mundial pode representar riscos aos direitos humanos, principalmente em países com regimes repressivos, durante eleições e em situações de crise ou conflito.
Outro ponto de atenção é o avanço da inteligência artificial, que pode facilitar a criação e a operação de grandes redes de contas coordenadas para disseminar informações enganosas.
Não exatamente. As Notas da Comunidade mudam quem participa do processo de contextualização das informações.
Em vez de depender exclusivamente de organizações especializadas em checagem, a Meta permite que usuários contribuam para identificar conteúdos que precisam de mais contexto.
As próprias notas, porém, podem utilizar reportagens e outras fontes jornalísticas para embasar as informações apresentadas.
O desafio, segundo os críticos do modelo, é garantir que a participação coletiva ajude a combater a desinformação sem abrir espaço para grupos organizados manipularem o sistema.