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Meta começa a testar 'Notas da Comunidade' na América Latina

Sistema permite que usuários adicionem contexto a publicações e começa a ser expandido para 16 países da região

Publicado em 10/09/2026 às 08:44
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A Meta começou a testar as chamadas Notas da Comunidade em 16 países da América Latina. O recurso, já utilizado nos Estados Unidos, permite que usuários contribuam com informações para dar contexto a publicações consideradas potencialmente enganosas.

A mudança faz parte da estratégia da empresa de ampliar o modelo de moderação baseado na participação dos próprios usuários e reduzir a dependência do programa tradicional de checagem de fatos realizado por organizações parceiras.

As Notas da Comunidade podem aparecer em publicações do Facebook, Instagram e Threads quando um número suficiente de colaboradores considerar que aquele conteúdo pode se beneficiar de informações adicionais.

Como funcionam as Notas da Comunidade

O sistema permite que usuários cadastrados como colaboradores escrevam notas para explicar, contextualizar ou corrigir informações presentes em uma publicação.

Para participar, é necessário ter pelo menos 18 anos, possuir uma conta no Facebook, Instagram ou Threads criada há no mínimo seis meses e não ter cometido violações recorrentes das regras das plataformas.

Uma nota não aparece automaticamente após ser escrita. O sistema considera a avaliação de outros colaboradores para determinar se o conteúdo é considerado útil.

A ferramenta foi criada originalmente pelo Twitter, em 2021, e posteriormente passou a ser utilizada pelo X, após a aquisição da plataforma por Elon Musk.

Mudança na checagem de fatos

A Meta anunciou em janeiro de 2025 que encerraria seu programa de checagem de fatos nos Estados Unidos e adotaria as Notas da Comunidade no lugar do modelo utilizado até então.

No sistema anterior, organizações independentes verificavam informações publicadas nas plataformas. O programa da Meta funciona em mais de 26 idiomas e reúne dezenas de veículos e organizações de checagem em diferentes países.

Com a mudança, a empresa passa a apostar em um modelo de participação coletiva para acrescentar contexto às publicações.

Sistema gera preocupação

A mudança também provoca debates sobre os riscos de deixar parte da moderação nas mãos dos próprios usuários.

Uma das preocupações é a possibilidade de pessoas mal-intencionadas utilizarem o sistema de forma coordenada para tentar validar informações falsas ou manipular a avaliação das notas.

O Conselho de Supervisão da Meta já alertou que a adoção do modelo em escala mundial pode representar riscos aos direitos humanos, principalmente em países com regimes repressivos, durante eleições e em situações de crise ou conflito.

Outro ponto de atenção é o avanço da inteligência artificial, que pode facilitar a criação e a operação de grandes redes de contas coordenadas para disseminar informações enganosas.

Notas substituem a checagem?

Não exatamente. As Notas da Comunidade mudam quem participa do processo de contextualização das informações.

Em vez de depender exclusivamente de organizações especializadas em checagem, a Meta permite que usuários contribuam para identificar conteúdos que precisam de mais contexto.

As próprias notas, porém, podem utilizar reportagens e outras fontes jornalísticas para embasar as informações apresentadas.

O desafio, segundo os críticos do modelo, é garantir que a participação coletiva ajude a combater a desinformação sem abrir espaço para grupos organizados manipularem o sistema.

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