O café, um dos produtos base da nossa economia, promete bater recorde em sua safra 2026. A produção deve chegar a 348,4 milhões de toneladas neste ano - uma alta de 0,7% em relação a 2025 (346,1 milhões de toneladas). A projeção, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi divulgada nessa terça-feira (14/4) e integra o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA). Até então, o ano passado registrou a maior produção da série histórica do instituto, que reúne dados desde 1975.
"É claro que as nossas estimativas ainda podem mudar, a gente tem bastante coisa para ser colhida até o final do ano [...]. Mas tudo indica que teremos novamente uma safra recorde", disse o gerente de agricultura do IBGE, Carlos Alfredo Guedes.
Ana Carolina Gomes, analista de agronegócios da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Sistema Faemg Senar), explica que a expectativa positiva do setor se deve principalmente às condições climáticas.
“Temos um clima melhor em relação aos últimos cinco anos. Em 2020 tivemos geadas e depois enfrentamos ondas de calor. São extremos que atrapalham a produção. A safra do ano passado sofreu com granizo e estresse hídrico. Para a próxima safra, tivemos boa quantidade de chuvas nos últimos meses”, explica.
Um outro levantamento, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), projeta que o volume produzido neste ano deve somar 66,2 milhões de sacas beneficiadas - uma alta de 17,1% em relação ao ciclo de 2025, que registrou 56,5 milhões de sacas. Em Minas Gerais, a expectativa é que a produção de café salte de 25,8 milhões para 32,4 milhões de sacas - uma alta de 25,5%.
“Também tem o fator da bienalidade, um fenômeno natural no cafeeiro, no qual a planta alterna anos de alta produtividade com anos de baixa produção. Neste ano, a maioria dos produtores têm plantas com alta carga produtiva, o que ajuda a aumentar a boa expectativa para a safra que começa a ser colhida a partir do final deste mês”, analisa.
Apesar da boa expectativa, ela pondera que não se trata de uma supersafra. “Tivemos chuvas irregulares entre outubro e dezembro, o que impede que as plantas atinjam o seu potencial produtivo máximo”, afirma.
Preço do produto vai cair?
Com o aumento da produção, e o aumento da oferta do café no mercado, é possível pensar que o preço possa cair nas gôndolas - trazendo alívio ao bolso dos consumidores. No entanto, não é bem assim.
“Temos dois fatores principais. O primeiro é a exportação. Os estoques globais de café estão defasados e, como o Brasil é responsável por ⅓ do abastecimento mundial, é bem provável que o produto sirva para suprir a demanda de outros países. Além disso, a cadeia produtiva se tornou mais cara desde a pandemia. Então, mesmo que haja mais oferta, é pouco provável que os preços caiam nos próximos meses”, diz.
Fonte: O Tempo