Temperatura média global ficou 1,65°C acima do período pré-industrial; calor extremo também provocou incêndios e milhares de mortes na Europa
Agosto de 2026 foi o mês mais quente já registrado no planeta, segundo o observatório europeu Copernicus. O relatório foi divulgado nesta quinta-feira (10) e aponta que a temperatura média global ficou 1,65°C acima dos níveis registrados no período pré-industrial.
O resultado marca a primeira vez desde novembro de 2025 que a temperatura média de um mês ultrapassa a marca de 1,5°C acima do período pré-industrial.
O limite de 1,5°C é considerado uma referência importante no combate às mudanças climáticas e foi estabelecido no Acordo de Paris como uma meta para limitar o aumento da temperatura média global. Embora um único mês acima desse patamar não signifique que a meta tenha sido definitivamente ultrapassada, a ocorrência é considerada um sinal de alerta sobre a intensificação dos eventos extremos.
O boletim do Copernicus também apontou que o verão no Hemisfério Norte, entre junho e agosto, teve temperatura média global semelhante à registrada no verão de 2024, até então o mais quente da série histórica.
Na Europa, o trimestre ficou como o terceiro verão mais quente já registrado para o continente. Na Europa Ocidental, porém, o período foi o mais quente de toda a série histórica.
O calor intenso veio acompanhado de baixa umidade em diversas regiões, condições que favoreceram a ocorrência de incêndios de grandes proporções.
Bélgica, Grécia, Espanha, França e Portugal registraram incêndios durante o período, com cidades e comunidades sendo evacuadas diante do avanço das chamas.
Os efeitos da onda de calor também foram sentidos na saúde da população europeia.
Segundo dados da EuroMOMO, rede de monitoramento de mortalidade apoiada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o excesso de mortes associado ao período de calor ultrapassou 10 mil casos em todo o continente.
O cenário reforça a preocupação com os impactos das temperaturas extremas, que podem aumentar os riscos à saúde, favorecer incêndios e pressionar os sistemas de atendimento médico.
Para o Copernicus, os dados de agosto fazem parte de uma sequência de temperaturas elevadas que vem sendo observada nos últimos anos e ajudam a dimensionar os efeitos do aquecimento do planeta.