CANETAS EMAGRECEDORAS

Canetas emagrecedoras exigem acompanhamento para evitar riscos à saúde, alertam especialistas

Consenso internacional aponta que perda rápida de peso pode causar deficiências nutricionais, perda de massa muscular e impactos psicológicos

Publicado em 22/07/2026 às 10:29
Compartilhar

As chamadas canetas emagrecedoras transformaram o tratamento da obesidade nos últimos anos, mas especialistas alertam que o uso desses medicamentos sem acompanhamento adequado pode trazer riscos à saúde.

Um consenso publicado na revista científica The Lancet Diabetes & Endocrinology reforça que o foco não deve estar apenas na quantidade de quilos perdidos, mas na qualidade desse emagrecimento. O documento foi elaborado por três entidades europeias ligadas à obesidade e à nutrição: a Associação Europeia para o Estudo da Obesidade (EASO), a Federação Europeia dos Nutricionistas (EFAD) e a Coalizão Europeia de Pessoas com Obesidade (ECPO).

Os especialistas analisaram estudos publicados até 2025 e fizeram recomendações para profissionais que acompanham pacientes em tratamento com medicamentos à base de incretinas, como a semaglutida — presente em remédios como Ozempic e Wegovy — e a tirzepatida, do Mounjaro.

Segundo o consenso, a redução rápida do apetite provocada pelos medicamentos pode levar algumas pessoas a consumir menos proteínas, vitaminas, minerais e fibras, aumentando o risco de perda de massa muscular e deficiências nutricionais.

O endocrinologista Fabio Moura, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, explica que o tratamento precisa ser multidisciplinar.

“Não adianta perder peso de qualquer jeito. É importante que essa perda seja com qualidade, para garantir uma boa saúde”, afirmou.

Entre as recomendações está o consumo adequado de proteínas, fibras e água durante o tratamento. A ingestão de pelo menos 60 gramas de proteína por dia pode ajudar a preservar a massa muscular, enquanto o consumo de fibras auxilia no funcionamento intestinal e reduz um dos efeitos adversos mais comuns: a prisão de ventre.

Os especialistas também destacam que pacientes em uso das canetas podem apresentar efeitos como náuseas, vômitos, refluxo, diarreia e constipação. A orientação é que esses sintomas sejam acompanhados por profissionais, com ajustes na dose e na alimentação quando necessário.

Impactos na saúde mental também entram no alerta

Além dos efeitos físicos, o consenso chama atenção para mudanças na relação dos pacientes com a comida e possíveis impactos emocionais.

De acordo com os pesquisadores, alguns usuários relatam redução da chamada “fome emocional” e menor compulsão alimentar. Porém, em alguns casos, a mudança pode trazer dificuldades relacionadas à autoestima, identidade e à forma de lidar com emoções.

O nutrólogo Guilherme Giorelli, professor do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que os medicamentos devem fazer parte de um processo mais amplo de mudança de hábitos.

“A saúde não é apenas ter o peso ideal. É bem-estar físico, mental e social. A medicação ajuda muito, mas faz parte de um processo maior”, afirmou.

Uso deve ser acompanhado por profissionais

O documento reforça que as canetas emagrecedoras não devem ser vistas como uma solução isolada. O acompanhamento com médicos, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais é considerado essencial para garantir que a perda de peso ocorra de forma segura.

Especialistas também alertam que pessoas com maior risco de deficiências nutricionais, idosos e pacientes com outras condições de saúde precisam de monitoramento ainda mais cuidadoso durante o tratamento.

Assuntos Relacionados
Compartilhar

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por