Por Luiz Henrique Cruvinel
O Grupo Jovem Pan divulgou na tarde desta quarta-feira, 4, o desligamento de Rodrigo Constantino do quadro de comentaristas da rádio após comentários machistas sobre a sentença do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) a respeito do caso Mariana Ferrer. Em nota, o Grupo diz que desaprova veementemente todo o conteúdo publicado nos canais pessoais de Rodrigo e na transmissão ao vivo no YouTube realizada pelo colunista.
Na transmissão, Rodrigo disse que “dá boa educação para que isso não aconteça” com sua filha. “Mas se ela chegar em casa e disser: ‘Fui estuprada’, vou pedir para ela me dar as circunstâncias”, comentou.
Durante as imagens, o colunista fez comentários machistas sobre o caso. "Existe mulher decente ou piranha.”, “Não pode falar essas coisas mais hoje em dia. Homem que faz uma coisa dessas não é decente, mas não existe também a ideia de mulher decente?”.
Após a repercussão dos comentários, a própria emissora foi às redes sociais e publicou o comunicado oficial sobre o desligamento de Rodrigo Constantino. Leia na íntegra:
“O Grupo Jovem Pan tem como premissa a liberdade de expressão e o amplo debate entre seus comentaristas. Diante do ocorrido nesta quarta-feira, 4, em uma live independente, promovida fora de nossas plataformas, por um de nossos comentaristas, a Jovem Pan esclarece que desaprova veementemente todo o conteúdo publicado nos canais pessoais e apresentado nessa live. Reafirmamos que as opiniões de nossos comentaristas são independentes e necessariamente não representam a opinião do Grupo Jovem Pan. No caso de Mariana Ferrer, defendemos que a vítima não deve ser responsabilizada pelos atos de seu agressor, apesar do respeito que todos nós devemos ter às decisões judiciais. Em consequência do episódio, na tarde desta quarta-feira, Rodrigo Constantino foi desligado de nosso quadro de comentaristas.”
O movimento de apoio à uberabense Mari Ferrer tomou proporções nacionais. O abaixo-assinado “Justiça por Mariana Ferrer”, criado em junho, quebrou o recorde de adesões de uma petição brasileira na plataforma Change.org. O termo soma quatro milhões de apoiadores que cobram a ação de órgãos como o Ministério Público de Santa Catarina e o Tribunal de Justiça daquele estado pela revisão do caso que inocentou o empresário André Camargo Aranha da acusação de estupro.