O temporal alagou ruas, derrubou árvores, destruiu carros e inundou túneis por toda a cidade
REUTERS/Lucas Landau
A delegada Valéria Aragão, titular da 12ª DP (Copacabana), confirmou hoje (9) a existência de três corpos dentro de um carro amarelo, que foi soterrado por um desabamento na encosta da Avenida Carlos Peixoto. Com isso, sobe para sete o número de mortos por causa das chuvas na cidade desde ontem (8).
Os corpos ainda estão sendo resgatados. Segundo a delegada, tudo leva a crer que o carro é um táxi que está desaparecido. "No entanto, este trabalho de resgate é feito com muita cautela em respeito aos cadáveres, mas já é possível visualizar que há corpos ali dentro”, disse a delegada acrescentando que o sistema de localização do GPS do táxi foi desligado exatamente no ponto onde está o carro soterrado.
Os trabalhos de resgate dos bombeiros é lento e foi interrompido uma vez porque as chuvas aumentaram.
A delegada disse que vai chamar todos os donos dos veículos que foram abandonados ontem à noite na avenida, para entender como foi o desabamento.
Dois dos mortos foram vítimas de um deslizamento no Morro da Babilônia, no Leme, zona sul da cidade. A terceira morte, por afogamento, foi registrada na avenida Marquês de São Vicente, na Gávea. Segundo relatos, um homem que estava na garupa de uma moto acabou derrubado pela correnteza e arrastado pela água. Quando o alagamento na via diminuiu, o corpo foi encontrado preso embaixo de um carro.
O município do Rio de Janeiro está em estado de crise desde as 20h55 de ontem. As áreas mais afetadas foram as zonas sul e oeste. O temporal alagou ruas, derrubou árvores, destruiu carros e inundou túneis por toda a cidade.
De acordo com dados do Alerta Rio, o sistema de monitoramento meteorológico da prefeitura do Rio, o volume de chuva acumulado em apenas quatro horas na noite dessa segunda foi até 70% maior do que o esperado para todo o mês de abril em alguns pontos dessas regiões.
Na zona oeste, a estação medidora da Barrinha registrou 212 milímetros de chuva entre as 18h e as 22h. No mesmo período, na zona sul, choveu 168 milímetros em Copacabana, 164 na Rocinha e 149 no Jardim Botânico.
As sirenes de alerta para risco de deslizamento de terra foram acionadas em 21 das 103 comunidades monitoradas pela Defesa Civil Municipal. Mas, segundo moradores, o alarme não chegou a ser acionado no Morro da Babilônia porque estava faltando energia na comunidade no momento do temporal.
A chuva também provocou o desabamento de mais um trecho da Ciclovia Tim Maia, na Avenida Niemeyer. Desta vez, a parte que caiu fica próxima do bairro de São Conrado. O desabamento ocorreu por volta das 22h, quando a via já estava fechada. Foi o quarto incidente desse tipo desde a inauguração da ciclovia, em janeiro de 2016. Um deles foi causado por ondas, durante uma ressaca, e três por temporais.