Diversas autoridades participaram ontem do ato público contra a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 37, a PEC da Impunidade, em frente da sede do Ministério Público em Uberaba. Promotores, juízes, vereadores, lideranças classistas, religiosas e representantes da sociedade civil organizada marcaram presença no evento, que teve como objetivo sensibilizar a população para os prejuízos que podem ocorrer caso a proposta seja aprovada pelo Congresso Nacional. O coordenador do ato público, promotor Tadeu Pissinin Gervasoni, disse que o resultado da mobilização foi positivo, destacando que o mau tempo não impediu a participação das pessoas. “Vários segmentos atenderam ao nosso convite e ao mesmo tempo conseguimos inúmeras assinaturas para o abaixo-assinado que será enviado a Brasília”, afirmou. Em discurso, ele deixou claro que o posicionamento contrário à proposta não é buscar o monopólio ou subtrair o poder de investigação, pois o órgão defende a adoção de técnicas de cooperação e operações conjuntas para investigar o crime organizado, desvio de verbas públicas, abuso de agentes públicos e violação dos direitos humanos. Ele ainda disse que a proposta está na contramão de países desenvolvidos, visto que mecanismos semelhantes à PEC são utilizados em Uganda, Quênia e Indonésia. Gervasoni exemplificou diversas investigações que seriam prejudicadas caso a proposta já estivesse em vigor no país. Entre elas, ele citou o esquema de desvio de recursos para a manutenção das ambulâncias do Samu, denunciada no ano passado pelo promotor José Carlos Fernandes em Uberaba. Em nível nacional, Gervasoni destacou a operação desencadeada ontem em doze Estados brasileiros para combater esquemas de corrupção em licitações públicas. No total, as verbas públicas sob investigação ultrapassam R$1,1 bilhão. A ação é decorrente de um trabalho conjunto do Ministério Público de diversos Estados brasileiros com a Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal. Na próxima sexta-feira, a mobilização acontece nas capitais brasileiras, e no dia 24 a mobilização será realizada na Capital Federal – quando será entregue o abaixo-assinado ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado Henrique Alves. O ato público também foi marcado por uma manifestação silenciosa de servidores da Justiça de primeira instância que há quase vinte dias estão em greve em Minas Gerais. Amanhã, o sindicato da categoria se reúne novamente em assembleia geral em Belo Horizonte. Quarenta servidores da comarca uberabenses estarão presentes.