Descoberta feita no maior colisor de partículas do mundo pode ajudar a desvendar mistérios da matéria escura; 28 países vão investir cerca de R$ 1,1 bilhão em novas pesquisas
(Foto/Federico Leo Rede/LHCb Collaboration/Divulgação)
A ciência pode estar diante de uma das menores escalas já exploradas do universo. Cientistas identificaram fenômenos na chamada escala do zeptoverso, cerca de 100 bilhões de vezes menor que um átomo. A descoberta foi possível por meio de experimentos realizados no Grande Colisor de Hádrons (LHC), equipamento localizado na fronteira entre a Suíça e a França.
O nome faz referência ao zeptômetro, unidade de medida equivalente a um trilionésimo de um bilionésimo de metro (10⁻²¹ metro). O termo zeptoverso passou a ser utilizado pelos físicos para descrever essa escala extremamente pequena, que abre novas possibilidades para investigar a estrutura da matéria.
Os experimentos são realizados na Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern), onde partículas são aceleradas e colocadas em rota de colisão para que os pesquisadores analisem seus componentes e comportamentos.
O resultado foi considerado raro pelos cientistas, com probabilidade estimada de uma em 10 bilhões de chances de ocorrer. A observação representa um avanço após 42 anos de buscas por fenômenos nessa escala.
Descoberta pode ajudar a explicar a matéria escura
Uma das principais expectativas dos pesquisadores é que os estudos contribuam para compreender melhor a matéria escura, um dos maiores mistérios da física. Estima-se que ela represente aproximadamente 25% do conteúdo total do universo.
Apesar de sua presença ser percebida pelos efeitos gravitacionais sobre a matéria comum, a matéria escura não interage com a luz, o que dificulta sua observação direta. Os cientistas acreditam que ela desempenha papel importante na formação e na evolução das galáxias.
Entre as partículas investigadas está o quark beauty, também conhecido como quark bottom. Trata-se de uma partícula subatômica extremamente instável, que existe por aproximadamente 1,5 trilionésimo de segundo antes de passar pelo processo de decaimento, quando se transforma em outras partículas, como os múons.
A análise desses processos pode revelar informações sobre o comportamento das partículas fundamentais e ajudar a testar teorias sobre a composição do universo.
28 países vão investir R$ 1,1 bilhão em pesquisas
As pesquisas devem avançar com a modernização do detector LHCb, utilizado para registrar e analisar os decaimentos das partículas.
Ao todo, 28 países participantes do projeto concordaram em investir 150 milhões de libras, aproximadamente R$ 1,1 bilhão, na atualização do equipamento.
A expectativa é aumentar em dez vezes a capacidade de registro dos decaimentos, permitindo ampliar o volume de dados analisados pelos cientistas.
Os pesquisadores também acreditam que podem existir escalas ainda menores do que a do zeptoverso. Com novos experimentos, a intenção é identificar outras partículas e aprofundar o conhecimento sobre os componentes fundamentais do universo.