GERAL

Com 4 barragens em alerta máximo, cidades mineiras fazem simulados

Os treinamentos ocorrem neste domingo e vão envolver 11 mil pessoas

Agência Brasil
Publicado em 30/03/2019 às 11:46Atualizado em 17/12/2022 às 19:30
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Após quatro barragens da Vale atingirem nível de alerta máximo em Minas Gerais, moradores de diferentes municípios participam de simulados para saber o que fazer em caso de rompimento. Os próximos treinamentos ocorrem hoje (31), às 15h, simultaneamente em três cidades mineiras: Raposos, Nova Lima e Itabirito. As ações devem envolver cerca de 11 mil pessoas, segundo a Defesa Civil de Minas Gerais.

A população atendida nesses simulados serão moradores de localidades que se situam na mancha da inundação das barragens B3/B4, Forquilha I e Forquilha III, que tiveram seus níveis de segurança elevados de 2 para 3, fazendo sirenes soarem na noite de quarta-feira (27). Trata-se do nível máximo, que significa risco iminente de ruptura. Na ocasião, a Vale explicou, em nota, que a ação foi necessária pois auditores independentes contratados informaram que essas estruturas não receberiam declarações de estabilidade, respeitando parâmetros da Agência Nacional de Mineração (ANM).

A barragem B3/B4 integra a Mina Mar Azul, em São Sebastião das Águas Claras, um distrito de Nova Lima. A comunidade é conhecida popularmente como Macacos, um dos destinos turísticos mais procurados na região devido à beleza natural dos arredores.

A duas semanas do carnaval, o nível de segurança da estrutura foi elevado de 1 para 2, fazendo com que as sirenes fossem acionadas pela primeira vez. Quase 300 pessoas precisaram deixar suas casas localizadas na zona de autossalvamento, isto é, em toda a área que seria alagada em menos de 30 minutos ou que está situada a uma distância de menos de 10 quilômetros. Diante da situação, as pousadas enfrentaram uma debandada dos clientes que tinham reserva para o carnaval.

A nova mudança, agora para o nível 3, agrava ainda mais a situação da economia local, pois afasta os visitantes. Não houve novas evacuações, mas as pessoas que já haviam sido retiradas de casa permanecem sem acesso ao imóvel. A convocação para o simulado foi feita para quem mora em toda a área abrangida pela mancha de inundação e não apenas na zona de autossalvamento.

Já nas barragens Forquilha I e Forquilha III da Mina Fábrica, em Ouro Preto (MG), os riscos de rompimento também já haviam levado ao acionamento das sirenes no dia 20 de fevereiro, quando o nível 2 foi atingido forçando a retirada de cerca de 70 moradores de suas residências. Com a elevação para o nível 3, novamente soou o sinal sonoro, mas não houve necessidade de evacuar outras casas. No entanto, detentos de Itabirito estão sendo transferidos pois o presídio onde estavam fica na área abarcada pela mancha de inundação.

Na quinta-feira (28), o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou a adoção de providências pela Vale, em caráter de urgência, para prevenir e mitigar danos humanos e materiais diante dos riscos nas barragens B3/B4, Forquilha I e Forquilha III. Atendendo a pedido formulado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), foi dado prazo de 48 horas para que a mineradora adote 27 providências técnicas relacionadas à segurança das estruturas e à assistência aos moradores. A Vale também terá que contratar uma empresa de auditoria externa independente para realizar vistorias nas barragens.

Todas as barragens que estão em alerta máximo foram construídas seguindo o método de alteamento a montante, o mesmo usado na estrutura da Mina do Feijão que causou a tragédia em Brumadinho (MG), no dia 25 de janeiro deste ano. Essa era também a técnica usada na barragem da mineradora Samarco que se rompeu em Mariana (MG), no ano de 2015. A Vale afirma que todas as barragens em alerta máximo estão inativas e já não vinham recebendo mais rejeitos. Elas foram incluídas no plano de descaracterização anunciado pela mineradora após a tragédia de Brumadinho.

O rompimento da barragem na Mina do Feijão levou 217 pessoas à morte, e 87 pessoas estão desaparecidas, segundo os dados mais recentes da Defesa Civil de Minas Gerais. Após o episódio, diversas barragens, não apenas da Vale como também de outras mineradoras, tiveram suas estruturas reavaliadas e sofreram elevação no nível de segurança. Em consequência, centenas pessoas foram retiradas de suas casas em todo o estado.

Tromba d’água provoca rompimento de barragem em Rondônia

O governo de Rondônia confirmou o rompimento de uma barragem no município de Ariquemes. Segundo as informações preliminares da Secretaria de Desenvolvimento Ambiental do estado, uma tromba d’água atingiu ontem (29) a estrutura de uma barragem localizada no distrito de Novo Oriente e provocou a ruptura. Uma força-tarefa composta por funcionários do governo local e servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) foi mobilizada para avaliar os impactos do rompimento.

De acordo com informações oficiais, o local atingido também é destinado às atividades de pesca e de mineração e ainda não é possível identificar qual tipo de barragem foi atingida. A Policia Ambiental informou que não há vítimas, mas cerca de 50 famílias estão isoladas.

Segundo a secretaria, a barragem de rejeitos de mineração é composta de areia e argila e não há risco de contaminação dos moradores locais por metais pesados.

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