Leite e derivados acumulam quedas nos preços há meses e produtos devem começar a recuperar valores
Os custos do leite e dos derivados sofreram alterações nos últimos meses. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da USP, o preço do leite ao produtor acumulou uma desvalorização de 25,8% em 2025, apesar dessa diferença não chegar automaticamente na prateleira do supermercado.
Considerado a prévia da inflação oficial do país, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de janeiro deste ano apontou uma redução de 1,29% no custo médio dos laticínios em relação a dezembro de 2025. No entanto, os laticínios já deverão dar sinais de encarecimento em meados do próximo mês.
As maiores quedas no IPCA-15 foram nos preços do requeijão (-2,75%) e da manteiga (-2,72%), seguidas do leite longa vida (-1,88%) e do leite em pó (-1,01%). O queijo também registrou deflação (-0,54%), enquanto o iogurte foi o único item do grupo alimentício que registrou alta no preço (0,67%).
De acordo com os dados do Cepea, o preço do leite ao produtor acumula nove meses consecutivos de queda. A média anual de 2025 - R$ 2,5617/litro - ficou 6,8% abaixo da observada em 2024. Resultado explicado principalmente pelo aumento da oferta de lácteos, com um grande volume de estoques de derivados.
A analista de agronegócio do Sistema Faemg Senar, Mariana Simões, explica que o setor leiteiro tem enfrentado uma crise de baixos preços na produção, com uma desvalorização progressiva durante nove meses consecutivos em 2025. No mercado, a redução no custo demorou a chegar ao consumidor, pontua, mas neste momento o leite e os derivados estão entre os produtos que mais têm contribuído para a queda da inflação dos alimentos.
Se o setor enfrentou um longo inverno contra suas margens de lucro no ano passado, os produtores agora esperam o início da recuperação dos preços após a passagem do pico da oferta de leite no campo nos meses de dezembro e janeiro, meses em que o período chuvoso aumenta a disponibilidade de pastagem.
“Em fevereiro é quando a gente já começa observar essa oferta um pouco mais enxuta no cenário nacional e, somada a isso, temos também importações que estão mais equilibradas nesse momento, principalmente devido aos baixos preços que estamos tendo do produto, que torna nosso leite mais competitivo em relação ao produto externo”, explica Mariana Simões.
A analista da Faemg destaca que o Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado de Minas Gerais (Conseleite-MG) apontou estabilidade para o preço do leite entregue em janeiro a ser pago em fevereiro e que a expectativa para os próximos meses são de leves recuperações no preço do leite e derivados.
Ela ressalta que essa recuperação deverá começar em meados de fevereiro e março, sem grandes altas nos preços, após o valor pago à produção no campo atingir um piso para o setor leiteiro. “Para o consumidor nem sempre aumenta na mesma proporção, porque ainda temos uma oferta muito grande do produto no mercado. Mas, falando de preços ao produtor, a gente vê um início de recuperação de valores sim”, finaliza.
Fonte: O Tempo.