
Psicóloga orienta pais sobre como manter diálogo e limites na relação com filhos adolescentes (Foto/Divulgação)
Pais que trabalham muitas horas e enfrentam rotinas exaustivas enfrentam o desafio de se manter próximos dos filhos adolescentes, sem invadir sua intimidade ou perder o controle sobre situações de risco. Segundo a psicóloga Thaís Pereira existem estratégias para equilibrar autoridade e proximidade nesse período de transição da infância para a vida adulta.
Conforme a especialista, é natural que o adolescente busque construir seu próprio mundo, com relações, interesses e intimidade próprias. “Os pais ficam numa linha tênue entre preservar a privacidade do filho e garantir que ele tenha orientação. Ele ainda não tem condição de avaliar todos os riscos e não é totalmente responsável por todas as suas ações”, afirma.
Thaís explica que é fundamental criar espaços protegidos na rotina familiar para conversar com o adolescente sobre o que ele pensa, gosta de ouvir, assistir ou jogar, sem impor um choque geracional ou ser dono da verdade. “Não é necessário ser amigo, porque há uma relação de autoridade, mas é importante se colocar interessado no que o filho realmente gosta e pensa”, ressalta.
O diálogo aberto ajuda a evitar resistência e a sensação de críticas permanentes. A psicóloga alerta que definir limites claros no mundo digital é essencial, mas que o “não” precisa vir acompanhado de justificativas. “Se os pais dizem apenas ‘porque eu sou sua mãe, você obedece’, isso gera a ideia de que o adolescente precisa esconder o que faz ou quer”, comenta. Ela reforça que hoje existem ferramentas para acompanhamento, como contas vinculadas e senhas de aplicativos, que devem ser usadas com explicação e orientação.
A especialista destaca que o universo digital pode expor os jovens a adultos camuflados em jogos ou redes sociais e a conteúdos de violência, discurso de ódio ou atos ilícitos. “Usar da autoridade é importante, mas sem perder o diálogo, explicando os riscos e construindo a consciência sobre limites”, acrescenta.
Thaís Pereira também chama atenção para a influência de grupos que propagam ódio contra mulheres, como red pills e incels. Segundo ela, esses discursos se aproveitam de adolescentes ainda em construção, cuja identidade e valores estão sendo formados. “Entrar nesse momento com discursos nocivos é mais fácil do que com pessoas adultas, que já têm pilares mais consolidados. Por isso a presença e o acompanhamento dos pais são essenciais”, conclui.