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Companhias listadas na B3 perderam R$ 778 bilhões em menos de dois meses

Levantamento da Elos Ayta mostra que apenas 34 das 305 empresas analisadas ampliaram valor de mercado desde o recorde histórico do Ibovespa, em abril

Luciana Rezende / O Tempo
Publicado em 05/06/2026 às 17:22
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A euforia com a máxima histórica alcançada pelo Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, a B3, não durou muito tempo. Entre 14 de abril e 3 de junho, o indicador recuou 14,26%, saindo do recorde de 198.657 pontos para 170.330 pontos, uma perda de 28.327 pontos em apenas 50 dias. O movimento foi acompanhado por uma redução significativa da capitalização das companhias listadas na B3. Levantamento elaborado pela consultoria Elos Ayta mostra que, no período, 305 empresas analisadas perderam, em conjunto, R$ 778,1 bilhões em valor de mercado.

Em abril, essas companhias valiam R$ 5,548 trilhões. No início de junho, esse montante já havia recuado para R$ 4,770 trilhões. Na prática, quase R$ 800 bilhões deixaram de existir em valor de mercado dessas empresas em menos de dois meses. Ainda conforme o estudo, das 305 companhias avaliadas, apenas 34 registraram valorização, enquanto 271 encerraram esse período com perdas.

Conforme os analistas da Elos Ayta, a perda de valor das empresas, observada entre abril e junho, coincide com uma mudança importante no comportamento dos investidores estrangeiros, que vinham sendo os principais responsáveis pela sustentação da B3 ao longo dos primeiros meses de 2026. Após meses de forte entrada de capital na Bolsa, eles passaram a realizar lucros depois da valorização que levou o Ibovespa à máxima histórica em abril. Assim, em maio, foi registrada a maior saída líquida de recursos estrangeiros da B3 desde 2022. 

O movimento é particularmente relevante, porque os investidores estrangeiros concentram parcela significativa da liquidez do mercado acionário brasileiro. “Quando reduzem exposição, especialmente em ações de grande capitalização, o impacto costuma ser amplificado tanto sobre o índice quanto sobre o valor de mercado das empresas”, diz o estudo da consultoria. Embora a correção da Bolsa resulte de uma combinação de fatores econômicos, financeiros e de percepção de risco, a retirada desses recursos aparece como elemento que ajuda a explicar a “destruição” de valor no período.

Petrobras lidera desvalorização

No ranking elaborado pela Elos Ayta, a Petrobras registrou a maior perda de valor de mercado entre as empresas analisadas. A estatal viu a capitalização encolher R$ 85 bilhões entre abril e junho. A segunda maior queda foi observada no Itaú Unibanco, de R$ 78,6 bilhões. A Axia Energia ocupa a terceira posição, com redução de R$ 46,6 bilhões.

Os dados mostram ainda que o movimento de correção de rota não ficou restrito a um segmento específico da economia. Empresas ligadas aos setores de petróleo, bancos, energia elétrica, siderurgia, indústria e bens de capital figuram entre as maiores perdas observadas no período, que se destaca por uma “reprecificação generalizada dos ativos negociados na B3”, conforme a consultoria. 

Destaques positivos

Na contramão da tendência negativa, aparece a Bradsaúde (SAUD3), que registrou o maior crescimento de valor de mercado da amostra, com expansão de R$ 28,66 bilhões. O desempenho reflete a reorganização societária promovida pelo Bradesco no setor de saúde. A operação transformou a antiga Odontoprev na Bradsaúde, consolidando em uma única empresa listada ativos como Bradesco Saúde, Mediservice, Atlântica Hospitais e outras participações estratégicas do grupo. “Como a companhia passou a ser negociada na B3 durante o período analisado,o crescimento de valor de mercado decorre, principalmente, desse processo de listagem e reorganização”, explica o estudo.

Outros destaques positivos do levantamento da Elos Ayta ficaram concentrados no setor siderúrgico. A Gerdau ampliou o valor de mercado em R$ 4,79 bilhões, enquanto a Usiminas registrou alta de R$ 4,58 bilhões. A Ambev aparece na sequência, com valorização de R$ 2,81 bilhões, seguida pela Ampla Energia, que adicionou R$ 2,43 bilhões em valor de mercado entre abril e junho.

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