Os exemplares provêm do Programa de Monitoramento e Salvamento Paleontológico
Foto/Elioenai Amuy/UFTM
Complexo Cultural e Científico de Peirópolis da UFTM está se consolidando com coleção de referência no país
Material é proveniente de Programa de Monitoramento e Salvamento Paleontológico, que atuou em obra de linhas de transmissão no Pontal do Triângulo Complexo Cultural e Científico de Peirópolis da UFTM recebe hoje 86 blocos de rochas contendo fósseis com idade de 400 milhões de anos. Os exemplares provêm do Programa de Monitoramento e Salvamento Paleontológico, realizado nas linhas de transmissão elétrica entre as cidades de Ribeirãozinho, no Estado do Mato Grosso, e a Usina Hidrelétrica de Marimbondo, instalada no rio Grande, no Pontal do Triângulo Mineiro.
De acordo com o supervisor e geólogo Luiz Carlos Borges Ribeiro, o complexo científico da UFTM vem se consolidando com coleção de referência no Brasil com a anuência do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), visto que esta não é a primeira vez que é escolhido para receber este tipo de material paleontológico.
O especialista destaca que estudos preliminares dos fósseis confirmam que há cerca de 400 milhões de anos a região dos estados de Mato Grosso e Goiás era ocupada por um mar de águas calmas e quentes, repleto de formas de vida. “Estes animais eram essencialmente providos de conchas, sendo classificados na sua maioria como pertencentes ao grupo dos braquiópodes, diferentemente dos fósseis coletados em Uberaba, onde há um predomínio dos grandes animais, como dinossauros, crocodilos, peixes, tartarugas, rãs, entre outros”, reforça o pesquisador.
O supervisor do complexo ressalta que o próximo passo é fazer a triagem dos 86 blocos, identificando as espécies entre os oito gêneros já identificados, numerando-os e inserindo-os na coleção. “Há a possibilidade de que alguns possam ser objeto de estudo por especialistas, em parceria com a equipe do Complexo da UFTM, para confirmar a presença de espécies ainda desconhecidas pela ciência, agregando conhecimento adicional à paleontologia brasileira. A proposta é, em curto prazo, colocar em exposição alguns dos exemplares para que o visitante possa conhecer essas formas de vida que habitaram nosso país em um passado remoto”, frisa Ribeiro.
O resgate dos exemplares foi realizado pelo empreendimento da Guaraciaba Transmissora de Energia (GTE), formado a partir de uma sociedade entre a Companhia Paranaense de Energia (Copel) e holding chinesa, que tem por objetivo interligar a Usina Hidrelétrica de Teles Pires, em construção no norte de Mato Grosso, ao sistema energético brasileiro.