
Os estilos musicais brasileiros estão entre os principais expoentes que compõem a cultura de nosso país. No Brasil, existe música nacional para todo tipo de situaçã de música para festa, relaxar e até música para concentrar no trabalho.
A musicalidade, rica em ritmos, gêneros e estilos, se dá pela intersecção entre a cultura indígena, africana e europeia que aconteceu por séculos, resultando em uma pluralidade artística apreciada ao redor do mundo todo.
Por isso mesmo, não existe um gênero que englobe toda a música brasileira. Ao contrário, temos “muitas músicas brasileiras”, e é sobre isso que vamos falar hoje. Conheça, a seguir, 5 estilos musicais brasileiros e suas histórias. 1- Samba
“Quem não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente dos pés.” A icônica frase cantada por Dorival Caymmi em “Samba da Minha Terra” demonstra o quanto a cultura e a imagem do Brasil estão vinculadas a este gênero musical.
Um dos ritmos mais antigos, sua história começa com os batuques trazidos pelos negros escravizados. Aqui, sofreu influência de ritmos europeus, como a polca, e foi criando identidade própria.
O Recôncavo baiano é o berço do samba. O ritmo recebe este nome pois as festas de danças de negros escravizados na Bahia eram chamadas assim. Logo, a festa e a música tornaram-se sinônimos.
Após a abolição da escravatura, em 1888, muitos negros optavam por tentar a vida na capital do país, naquele período, o Rio de Janeiro. A difusão da música na cidade era mal vista e criminalizada, assim como a capoeira e o candomblé. O samba era feito escondido, e só alcançou a erudição com compositores como Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth.
Os dois estão entre os primeiros a utilizar elementos do samba em suas canções. Ainda não era o samba como temos hoje, e por isso mesmo, era chamado de choro, valsa-choro e até mesmo de tango.
O primeiro samba gravado no Brasil foi a música “Pelo Telefone”, composta por Mauro de Almeida e Donga. Ao chegar às rádios das grandes cidades, o samba se popularizou entre as camadas mais abastadas da população. Não demoraria muito para que o samba se torna-se o ritmo do carnaval.
A consolidação do samba como música nacional aconteceu na década de 1930, com a chegada de Getúlio Vargas ao poder. O presidente/ditador queria criar uma identidade própria e homogênea para o país. Foi com seu incentivo que a feijoada, a caipirinha e, claro, o samba, se tornaram sinônimos de cultura brasileira. 2- Bossa Nova
Não há no Brasil quem nunca tenha escutado uma canção bossa nova. Mas você já se perguntou o que é “Bossa”? E por que ela é “Nova”?
O nome faz menção a uma nova maneira de se fazer samba, a partir de um movimento que aconteceu no Rio de Janeiro no final da década de 1950. Bossa era uma gíria carioca muito popular, e podia significar “coisa” ou “jeito”. Logo, Bossa Nova quer dizer um “jeito novo”, em alusão a forma com que se propunham a tocar o samba tradicional.
O marco inicial da Bossa Nova é a canção “Chega de Saudade”, interpretada por João Gilberto em seu álbum de mesmo nome, em 1958. Foi aí que a levada da Bossa Nova, caracterizada pela rítmica do violão e derivada do samba de raiz, se popularizou.
A Bossa Nova é, sem dúvida, um dos estilos musicais brasileiros mais apreciados ao redor do mundo, mas mesmo assim há quem o critique. Enquanto alguns a consideram como parte do samba, outros a veem como uma apropriação elitista da música popular. A influência da musicalidade do Jazz também foi criticada por muitos músicos do período. Seja qual for sua opinião, é inegável a importância do gênero para nossa cultura. 3- Música Popular Brasileira (MPB)
A MPB é um dos maiores legados das inovações musicais brasileiras. Mas a melhor forma de explicar esse gênero é dizendo que ele não possui uma definição exata. A chamada Música Popular Brasileira é uma amálgama de referências e estilos, contemplando, assim, diversos artistas.
O que chamamos hoje de MPB surge no final dos anos 1960, durante o regime militar, com nomes como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil e Elis Regina. O gênero também estava muito relacionado aos festivais de música que aconteciam em programas de televisão e ao movimento Tropicalista, que visava criar uma nova identidade cultural brasileira a partir das transformações que aconteciam no mundo. 4- Sertanejo
Enquanto o samba florescia principalmente nos grandes centros urbanos próximos ao litoral, o interior do país também era berço de um novo gênero. Na década de 1910 surge a música sertaneja, caracterizada pelo som da viola em modas e emboladas.
O sertanejo está muito ligada à cultura caipira das pessoas que viviam no interior, especialmente em zonas rurais e pequenos vilarejos. Em suas letras, as dores e tristezas dos homens e mulheres do campo eram retratadas de forma vívida, como um canto para aliviar a alma.
Atualmente, o sertanejo é o ritmo mais popular no Brasil, ultrapassando, em audiência, o samba e o funk. Isso aconteceu ao longo de muitas décadas, tendo se intensificado durante os anos 1970 pelo grande êxodo rural em direção às cidades.
A música caipira passaria então por influências de outros estilos musicais. Se o formato de dupla e o estilo vocal permanecem quase que inalterados até hoje, o mesmo não se pode dizer do ritmo, instrumentação e contorno melódico.
Atualmente, a música caipira é mais conhecida pelo Sertanejo Universitário, um subgênero que se destacou e criou identidade própria. Ainda assim, a moda de viola -- carinhosamente chamada de “modão” -- segue muito popular por todo o país. 5- Estilos musicais brasileiros folclóricos
Até aqui falamos de ritmos musicais ligados à cultura popular e à indústria musical. Agora, vamos falar sobre os ritmos folclóricos, ou seja, a música de caráter histórico e cultural, geralmente ligada a uma região específica. Maracatu
O Maracatu se difundiu com a banda Chico Science & Nação Zumbi na década de 1990, que misturou elementos tradicionais com o rock. No entanto, a história do maracatu é muito mais antiga, e remete ao período da escravidão.
Em Pernambuco aconteciam as Congadas, festas de negros escravizados que elegiam um rei e uma rainha para a celebração. Os coroados eram seguidos por uma procissão até uma igreja, geralmente a de Nossa Senhora do Rosário, padroeira dos homens negros. A festa era acompanhada de batuque em homenagem à santa, e é dessa batida que surge o maracatu. Frevo
Outro ritmo pernambucano, o frevo é conhecido pela marcha de ritmo sincopado, definida por Câmara Cascudo (um importante folclorista brasileiro) como “obsedante, violento e frenético”.
A intensidade do frevo é acompanha de muita dança, caracterizada por roupas e sombrinhas coloridas. O nome do estilo deriva justamente de toda essa fervura, a qual o povo pronunciava como “frevura” ou “frevo”.