Empresas precisam integrar loja física, e-commerce e redes sociais para acompanhar novo perfil do consumidor
O avanço do consumo digital e a mudança no comportamento dos consumidores estão redesenhando o varejo brasileiro e exigindo adaptação rápida das empresas. A avaliação é do especialista em e-commerce Raphael Simões, em entrevista ao programa Pingo do J, que aponta três movimentos simultâneos: a transformação das redes sociais em canais de venda, a mudança no perfil do consumidor e o desafio crescente da falta de mão de obra.
Segundo ele, o comportamento do cliente atual é marcado pela busca por praticidade, agilidade e experiência de compra, o que tem impactado diretamente tanto o comércio físico quanto o digital. Esse novo perfil também está ligado à mudança geracional, em que consumidores mais jovens influenciam o mercado e alteram hábitos tradicionais de consumo.
Nesse cenário, o especialista destaca o avanço do chamado social commerce, tendência em que redes sociais deixam de ser apenas espaços de interação e passam a funcionar como plataformas de venda. Para ele, esse movimento deve se intensificar e alcançar diferentes meios de comunicação. “Hoje, o social commerce é só o primeiro passo. Nós vamos ver qualquer plataforma, inclusive rádio e TV, se transformando em canais de venda”, afirma.
Apesar do avanço tecnológico, o crescimento do e-commerce também tem esbarrado em um problema estrutural: a falta de mão de obra qualificada para sustentar a expansão das operações digitais. Segundo o especialista, muitas empresas enfrentam dificuldade para acompanhar o aumento da demanda gerado pelas vendas online.
Ele explica que, com o crescimento acelerado das vendas, surgem novas exigências operacionais, como logística, separação de pedidos e automação, o que pressiona ainda mais o mercado de trabalho. “O digital transforma o faturamento, mas muitas vezes a empresa não consegue mão de obra para acompanhar esse crescimento”, destaca.
Para o especialista, o cenário aponta para uma mudança estrutural no varejo, em que físico e digital deixam de ser concorrentes e passam a atuar de forma integrada, mas com exigências cada vez maiores de adaptação por parte das empresas.