A guerra no Oriente Médio e o bloqueio no Estreito de Ormuz por parte do governo iraniano causam incertezas em relação ao risco de desabastecimento ou alta nos preços dos combustíveis. Em Minas Gerais, postos relataram na semana passada falta de produtos após distribuidoras restringirem a venda e o Procon-MPMG registrou diversas denúncias sobre "possíveis aumentos abusivos" no estado. Aumentos vêm sendo registrados em todos estabelecimentos do setor, mesmo antes do reajuste da Petrobras para a gasolina. Neste cenário, as corridas por aplicativo também podem ficar mais caras, impactando o bolso do consumidor?
De acordo com a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas como Uber e 99, o preço do combustível é um dos fatores que influenciam no preço das tarifas. Porém, não é o único.
“As tarifas também são influenciadas pelo tempo e distância dos deslocamentos, categoria do veículo escolhido, nível de demanda por corridas no horário e local específicos, entre outros. A depender destes fatores, os valores podem ter variação para manter a atratividade nos ganhos dos motoristas e a competitividade no mercado”, afirma a Amobitec em nota.
Apesar de considerar o combustível como parte dessa matemática, a associação não confirma se as tarifas podem aumentar por conta da guerra no Oriente Médio.
“Os possíveis impactos do conflito sobre os combustíveis possuem uma natureza macroeconômica, com repercussões que transcendem o setor de aplicativos”, finaliza a nota.
Na última sexta-feira (13), a Petrobras anunciou o aumento de R$ 0,38 por litro no preço do diesel vendido em suas refinarias. A medida, que passou a valer no sábado (14/3), é uma reação à disparada do petróleo por causa da guerra no Oriente Médio.
Para compensar as pressões internacionais, o governo federal havia concedido isenção de R$ 0,32 no PIS/Cofins por litro de combustível. Na prática, houve aumento real de seis centavos por litro.
Importância do estreito de Ormuz
O combustível está no centro do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Isso porque cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passam pelo estreito de Ormuz, um corredor marítimo estreito entre o Irã e Omã. A capacidade de Teerã de bloquear o tráfego pelo canal poderia conferir ao país enorme poder de pressão sobre os Estados Unidos e seus aliados.
Fonte: O Tempo.