GERAL

Criança e bisavó morrem de febre maculosa em Contagem, na região metropolitana

A data precisa dos óbitos não foi divulgada, mas os casos foram confirmados pela prefeitura do município

Publicado em 19/08/2021 às 14:15Atualizado em 18/12/2022 às 15:49
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Morreram de febre maculosa um menino de quatro anos e a bisavó dele, de 73, nesta semana. Os óbitos aconteceram em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. A data de falecimento do menino é de 10 de agosto e a da avó é dia 12 de agosto, porém, os casos foram confirmados pela prefeitura do município, em nota enviada na noite desta quarta-feira (18). Em entrevista ao jornal O Tempo, a avó do menino que morreu e filha da idosa também falecida relatou aos prantos a dor que passa neste moment “estou sem chão”contou. 

A familiar ainda comentou que, nas proximidades da casa onde viviam o menino e a idosa, havia animais soltos, como “cavalos, vacas e cães” que, de acordo com ela, não teriam recebido atenção necessária da prefeitura. A família mora no bairro Nacional, divisa com Belo Horizonte, segundo a Prefeitura de Contagem.

Já o município afirma que “a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) monitora a área desde 2017, com intensificação das ações de prevenção desde 2019, quando houve um surto de febre maculosa nesta área.  Ainda em julho deste ano, a equipe do distrito Sanitário Nacional (epidemiologia, médica e zoonoses) realizou capacitação online em todas as unidades de saúde dos distritos Nacional e Ressaca sobre o manejo clínico da FMB em que foram abordados também a situação epidemiológica e o manejo ambiental”.

Segundo os Governos Municipais de Contagem e Belo Horizonte, foram realizadas ações de sensibilização e conscientização sobre o risco do carrapato estrela, causador da doença, que vive no corpo de animais e que pode atacar seres humanos, transmitindo enfermidades. Conforme a SMS da cidade vizinha à capital, “no dia 13 de agosto, foi iniciada a sensibilização e panfletagem para os moradores da área do entorno, além da borrifação nas casas com produto específico de combate ao carrapato estrela”. “Novas ações da SMS também foram encaminhadas, como a divulgação de Nota Técnica para toda a rede de saúde pública e privada”, completa a pasta. 

A Prefeitura de Belo Horizonte informou que as ações foram fixadas em um raio de cinco quarteirões da avenida Xangrilá, no bairro Braúna, no limite entre Belo Horizonte e Contagem. “A região é monitorada pelas Equipes de Zoonoses da regional Pampulha, que orientaram a população sobre os cuidados e informações sobre os riscos, formas de transmissão e tratamento da doença. A Secretaria Municipal de Saúde realiza ações sistemáticas de vigilância e controle dos carrapatos”, afirmou a PBH.

A gestão da capital pontuou que monitora os carrapatos nas regionais Nordeste, Norte, Pampulha, Barreiro e Venda Nova, além de, anualmente, entre abril e agosto, realizar “controle vetorial de equídeos”, que são banhos carrapaticidas – ou seja, que matam o inseto. “A Prefeitura realiza ainda a aplicação de carrapaticida em cavalos nas regionais Nordeste, Norte, Pampulha e Barreiro”, conclui o Executivo.

Mãe da criança e neta da idosa denúncia descaso em UPA's

Segundo Ana Vitória da Silva, de 20 anos, mãe da vítima de quatro anos, se o filho tivesse sido diagnosticado corretamente, o menino estaria aqui junto com a avó, que passou pelo mesmo descaso e morreu na mesma semana. Ana denuncia de negligência médica a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Ressaca, em Contagem, na região metropolitana, e a UPA Pampulha, em Belo Horizonte.  

De acordo com a mulher, foram 11 dias de idas e vindas a diversos médicos, até que ela conseguiu internar o filho e diagnosticar a doença. Ana conta que tudo começou no dia 29 de julho, quando foi dar banho no menino, ela percebeu um carrapato na virilha dele. Ana retirou o inseto e no mesmo dia o menino começou a sentir febre alta.

A mãe do menino conta que o levou imediatamente a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Ressaca, em Contagem, em que questionou o médico sobre a ligação entre a febre e a picada do inseto. No entanto, o profissional só receitou uma pomada para a região da picada e um medicamento para dor de ouvido.  

Insatisfeita com o diagnóstico e preocupada com a piora aparente do estado de saúde da criança, Ana retornou à UPA Ressaca, em que saiu com o diagnóstico de dor de garganta. Insatisfeita mais uma vez com o atendimento, a mulher procurou a UPA Pampulha, em Belo Horizonte, local que obteve o diagnóstico de virose.  

Sem saber o que fazer a mãe da criança ficou tratando o menino em casa, dando os medicamentos receitados pelos médicos. Só que no dia 8 de agosto, a criança deu uma crise convulsiva nos braços de Ana, que resolveu levar o filho por conta própria ao Centro Geral de Pediatria, em Belo Horizonte.

A criança deu entrada em estado grave no hospital. De lá, ele foi transferido para o Centro de Atendimento Intensivo (CTI) do Hospital João XXIII, também em Belo Horizonte. Depois de diversas paradas cardíacas, exames e medicamentos a criança morreu no dia 10 de agosto.

Ainda, a mulher relata que no hospital, os médicos fizeram diversos exames para ver se o menino estava de fato com febre maculosa, pois apresentava vários sintomas da doença. No entanto, os exames não apontavam a doença porque provavelmente os medicamentos prescritos pelos médicos das UPA’s estavam mascarando a doença.

Ana conta que somente no dia 16 de agosto, depois de quase uma semana que eu havia enterrado o pequeno, recebeu o exame que confirmou que ele de fato morreu de febre maculosa. 

Já a avó de Ana, no dia 6 de agosto deu entrada na UPA Ressaca sentindo dores fortes no corpo e febre alta. No mesmo momento a mulher foi internada sendo diagnosticada com uma infecção urinária forte, desidratação e desnutrição. A irmã de Ana, a nutricionista, Natália Fernandes, de 24 anos, acompanhou a avó na unidade de saúde.

Segundo Natália, os médicos foram informados que havia na família uma pessoa com febre maculosa e se a avó poderia estar com a doença, porém, nenhum exame do tipo foi realizado. Em 24h de internação a idosa perdeu a visão, os movimentos e teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O centro de saúde resolveu transferi-la para o Hospital João XXII, já em estado gravíssimo.

No hospital exames foram realizados e veio a confirmação da febre maculosa. Entretanto, a idosa não suportou e morreu no dia 12 de agosto.

*Com informações do jornal O Tempo

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