Levantamento mostra que maior parte das perdas está relacionada a gastos com segurança e prevenção; roubo de cargas lidera entre os crimes mais frequentes
O crime gera um impacto anual de pelo menos R$ 107 bilhões para a indústria brasileira, entre prejuízos causados diretamente por atividades ilícitas e gastos com prevenção e segurança. Os dados são de uma sondagem realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 1.398 empresas de 32 setores industriais de pequeno, médio e grande porte em todo o país.
Segundo o levantamento, R$ 68,8 bilhões do total correspondem a investimentos feitos pelas empresas para evitar crimes. Nesse grupo estão despesas com vigilância patrimonial, monitoramento eletrônico, segurança cibernética e proteção pessoal.
Já os R$ 39,1 bilhões restantes são atribuídos a perdas diretas provocadas por práticas criminosas, como roubo de cargas, furto de matérias-primas, pirataria, contrabando e ligações clandestinas de energia elétrica.
De acordo com a CNI, os recursos destinados à prevenção e os prejuízos causados por ilícitos poderiam ser revertidos em investimentos produtivos, geração de empregos e ampliação da capacidade industrial.
O estudo aponta que mais de um terço das empresas industriais do país sofre impactos decorrentes da criminalidade. Os efeitos são mais significativos nas pequenas e médias empresas. Nas companhias de pequeno porte, as perdas representam, em média, 0,6% da receita líquida anual. Nas médias, o índice chega a 0,8%, enquanto nas grandes empresas o impacto médio é de 0,4%.
Entre os crimes mais frequentes, o roubo de cargas aparece na liderança, citado por 32% das empresas afetadas. Em seguida estão problemas relacionados à comercialização de produtos fora das normas técnicas e regulatórias, além de casos de pirataria e falsificação.
Segundo a entidade, além dos prejuízos financeiros imediatos, a criminalidade também provoca perda de participação de mercado, aumento dos custos com segurança e despesas jurídicas adicionais.
A pesquisa também avaliou quais medidas são consideradas mais eficazes pelas empresas para combater os ilícitos. Ações de fiscalização e controle foram citadas por 77% dos entrevistados, seguidas por estratégias de inteligência, mencionadas por 46%. O endurecimento da legislação apareceu entre as principais alternativas para 36% das empresas consultadas.
A CNI avalia que o fortalecimento da fiscalização sobre a comercialização e circulação de produtos irregulares é uma das principais ferramentas para reduzir os impactos econômicos da criminalidade sobre a indústria nacional.