Colapso do sistema elétrico ocorre em meio à crise de combustível e a negociações recentes entre Havana e Washington
O país enfrenta uma crise energética há pelo menos três meses, com várias províncias registrando apagões de até 20 horas nas últimas semanas. (Foto/Reprodução)
Cuba voltou a enfrentar um apagão generalizado nesta segunda-feira (16), deixando cerca de 10 milhões de pessoas sem energia elétrica. A informação foi divulgada pela Companhia Elétrica Nacional, que atribuiu o colapso à grave crise de abastecimento de combustível enfrentada pelo país.
De acordo com as primeiras informações, a falha ocorreu por volta das 16h no horário local (15h em Brasília), quando o sistema elétrico nacional entrou em colapso. Em comunicado publicado nas redes sociais, a União Elétrica Cubana informou que houve uma interrupção total no fornecimento e que equipes já trabalham para restabelecer o serviço.
Segundo a agência de notícias EFE, este é o sexto apagão registrado no país em cerca de um ano e meio, reflexo das dificuldades enfrentadas pelo sistema energético cubano.
A crise tem relação direta com a escassez de petróleo importado, combustível essencial para o funcionamento das usinas de energia e da rede de transporte. Com a redução no fornecimento, as autoridades têm recorrido a apagões programados e restrições em alguns serviços públicos para tentar equilibrar o consumo.
O cenário ocorre em meio a um momento de tensão e possíveis mudanças nas relações entre Cuba e Estados Unidos. No domingo (15), o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que os dois países podem chegar a um acordo em breve ou adotar outras medidas, indicando a possibilidade de avanços nas negociações entre as duas nações.
As declarações foram feitas após anos de relações marcadas por sanções econômicas, disputas diplomáticas e divergências sobre temas como migração e segurança, enquanto aliados e investidores acompanham com atenção qualquer sinal de mudança na política externa americana.
Na sexta-feira (13), o presidente cubano Miguel Díaz-Canel confirmou que Havana iniciou conversas com Washington. Segundo ele, o objetivo é buscar soluções por meio do diálogo para as diferenças existentes entre os dois países e evitar o agravamento das tensões.
Apesar da retomada do diálogo, ainda há obstáculos importantes nas negociações. Autoridades dos Estados Unidos indicam que qualquer redução das sanções dependerá de concessões políticas e econômicas por parte do governo cubano, enquanto Havana defende que qualquer acordo respeite a soberania do país.