GERAL

Cutting entre jovens se transforma em problema de saúde pública

A automutilação ou cutting são lesões praticadas como forma de aliviar dores emocionais. O bullying na escola é um dos principais causadores do problema

David Tschaikowsky
Publicado em 27/11/2016 às 11:34Atualizado em 16/12/2022 às 02:40
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A psicóloga Fernanda Bosco alerta que o cutting é frequente na fase de adolescência

Um problema silencioso que vem despertando a atenção de especialistas e familiares, a automutilação praticada por adolescentes atinge 20% deles no Brasil e no mundo. Um transtorno que afeta mais que o uso de drogas, segundo estudos internacionais. Por ser recentemente descoberto no país, ainda não existe estudo relacionado. O bullying na escola é um dos principais causadores do problema.

Para a psicóloga Fernanda Bosco, a automutilação ou cutting são lesões praticadas como forma de aliviar dores emocionais. “Os relatos mais frequentes são observados na fase da adolescência. Os comportamentos autolesivos são sinais de uma adolescência patológica e evidenciam um sofrimento psíquico que não deve ser negligenciado. São pessoas que deslocam o sofrimento emocional para um sofrimento físico”, explica a psicóloga.

Ainda segundo Fernanda, as redes sociais têm disseminado conteúdos de automutilação em adolescentes e, diante disso, é possível perceber que alguns jovens utilizam dos atos autolesivos pela dor emocional e outros, também, por influência dos grupos na Internet ou na escola, a fim de ter uma nova experiência. “Os pais e a escola precisam ficar em alerta e observar o comportamento dos seus filhos. Geralmente, após a automutilação, a maioria dos jovens passa a usar roupas e acessórios que escondam as lesões”, alerta.

De acordo com a psicóloga, existe tratamento para o transtorno. “Psicoterapia é a base do tratamento, pois o problema em questão não está só na influência das redes sociais, mas, também, no fato de jovens se sentirem incapazes de lidar com o sofrimento e seus sentimentos. Com isso, torna-se essencial um espaço para que esses adolescentes possam ser ouvidos verdadeiramente e obtenham ferramentas saudáveis para lidar com as frustrações e todo o turbilhão de sentimentos. Em alguns casos pode-se fazer necessário o acompanhamento psiquiátrico também, uma vez que alguns jovens que praticam a automutilação podem sofrer de transtornos psiquiátricos associados”, esclarece a profissional.

Fernanda reforça que a família tem papel fundamental no tratamento desse problema. “O apoio familiar ao jovem que está passando por esse sofrimento psicológico faz toda a diferença no tratamento. O adolescente geralmente relata ter medo do julgamento da família. Quando conseguimos orientar os pais e auxiliar na aproximação da família com o jovem (nesse momento de dor), o resultado emocional ganha força em direção à saúde mental”.

 

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