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Deficientes físicos vencem batalhas e dão a volta por cima

Walterson Fernandes de Castro e Gilmar Ribeiro Lima, deficientes físicos desde 1974 e 1996, respectivamente, são dois exemplos de superação

Publicado em 03/08/2018 às 10:18Atualizado em 20/12/2022 às 12:16
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Hoje, uma das atividades de Gilmar Ribeiro na Adefu é o teatro e a dança no grupo Arte sobre Rodas   Muitas vezes um acidente de trânsito mata as pessoas ou as deixam com deficiências físicas irreversíveis. Isso pode significar uma sentença dramática de sofrimento e dificuldades para quem vive esta situação, mas também pode ser somente a primeira etapa de uma luta heróica a ser travada e uma batalha vencida por quem tem força para dar a volta por cima. Hoje, assim como nas mais variadas localidades, em Uberaba, residem homens e mulheres, crianças e idosos que enfrentaram este grande obstáculo na vida e o venceram das mais variadas e incríveis formas.   Walterson Fernandes de Castro e Gilmar Ribeiro Lima, deficientes físicos desde 1974 e 1996, respectivamente, são dois exemplos de superação que encaram a paraplegia provocada por graves traumas após acidentes de trânsito com dignidade. E mais que iss conseguiram criar estratégias e desenvolver habilidades para levar a vida de uma forma que ninguém acreditava ser possível.   Os dois voltaram a dirigir dirigem carros adaptados, trabalham e atuam na Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba (Adefu), mostrando que são de fibra e coragem.   Gilmar Ribeiro tinha 24 anos e fazia um bico em uma pizzaria, em 96, quando, após o expediente, retornava para casa e, em um cruzamento na avenida Maranhão, bairro Universitário, sua vida mudou completamente. Ele conduzia uma moto e acabou caindo no chão juntamente com o veículo. “Até hoje, não sei exatamente o que ocorreu. Eu apaguei. Quando acordei estava há 24 dias em coma, no hospital. Umas pessoas disseram que houve um choque entre minha motocicleta e um carro. Outros falam que foi com um caminhão. E tem até quem garante que bati no meio fio, sozinho, porque não havia sinalização”, lembra. “O que realmente sei é que estava tarde, era 1h30, e só recordo dos médicos me dizendo, no hospital, que talvez eu ficaria paraplégico, pois tive desvio das vértebras da medula. Os psicólogos conversaram comigo bastante, para que eu acalmasse”, completa.   Gilmar revela que ficou quase três meses internado no hospital, fez cirurgia para colocar uma haste na região do trauma, mas não recuperou-se completamente. Voltou para casa onde ficou oito meses, até conseguir uma vaga no Hospital Sarah Kubitschek (referência em atendimento de vítimas de politraumatismos e problemas locomotores). No estabelecimento permaneceu em tratamento durante dois meses para tentar voltar a andar. No entanto, não obteve êxito. “Mas, aprendi tudo sobre lesão medular e a como lidar com isso”, afirma.   O triunfo. Em 1997, Gilmar, que estava prestes a se casar antes do acidente e viu os nove anos de noivado desmoronarem logo depois, começou a frequentar a Adefu. “Foi lá que recebi o apoio, fundamental na minha recuperação psicológica e até física em alguns aspectos. Foi graças a esta ajuda que tive energia e controle para não fazer uma besteira. E é lá que trabalho até hoje, contribuindo com a diretoria”, afirma.   Aos 38 anos, o uberabense destaca ainda aquela que pode ser considerada sua maior conquista física. “Depois aposentei e passei a vir à Adefu virei esportista. Pratico atletismo e natação e já conquistei vários títulos. Além disso, guio um Del Rey adaptado, pratico dança de salão e supero muitos desafios, todos os dias”, emociona-se, sem esquecer de fazer um alerta.

“É preciso que as pessoas entendam que andar de moto é muito perigoso e não é um bom caminho para os jovens. Especialmente em Uberaba, onde é preciso dirigir para você e para os outros também”, completa.

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