Operação “Carne Fraca” e delação dos donos da JBS à justiça afetaram a produção nacional
Turbulento e decepcionante. Essas são algumas das palavras que podem resumir o desempenho do mercado de carnes no Brasil durante este ano. Afetado por secas e pelo envolvimento da maior empresa do mundo em processamento de proteína animal em casos de corrupção, os produtores sofreram com a desvalorização da mercadoria.
No começo do ano as expectativas para o desempenho do setor eram as melhores possíveis, mas é preciso voltar em 2014 para entender o que motivou essa esperança. De acordo com Thiago Carvalho, pesquisador da área pecuária do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o CEPEA, em 2014 e 2015, o Brasil sofreu com fortes secas nas principais regiões produtoras de gado. Isso causou uma diminuição no rebanho fazendo com que os preços subissem. Diante desse cenário, segundo o especialista, muitos produtores tiveram que usar a criatividade para não ficarem no prejuízo. Assim, começaram os investimentos em genética, manejo sanitário e do pasto, além da nutrição. Isso fez com que os anos de 2014 e 2015 fossem muito lucrativos.
No fim de 2016, começo de 2017, as chuvas voltaram à normalidade e os preços voltaram a cair, devido ao aumento da produtividade. Segundo Thiago Carvalho, do CEPEA, a desvalorização começou a ser observada pelo órgão e investidores do setor. “Então, antes da Carne Fraca, a gente já via uma desvalorização. O CEPEA, o mercado em geral já observava a queda do preço do boi”, explica.
A delação da JBS também contribuiu para manter o preço da arroba do Boi Gordo em baixa. Os preços caíram de R$ 144 para aproximadamente R$ 132, o valor mais baixo dos últimos 20 anos para o mês de maio, segundo dados do CEPEA.
Para Rafael Linhares, assessor técnico da Comissão de Nacional de Bovinocultura da Confederação de Agricultura e Pecuária, a CNA, mesmo com a crise, a previsão é otimista com relação ao desempenho do setor para o final de 2017. “Esperamos retomada do consumo com as festividades de final de ano. Uma retomada do abate, da produção de carne, fazendo com o que haja uma procura maior pelo animal terminado”, acredita.
O Brasil é o maior exportador de carne do mundo. Países como Irã, Rússia e China estão entre os maiores compradores do produto brasileiro.
Fonte: Agência do Rádio