BURNOUT

Desânimo no trabalho pode ser mais do que cansaço, alerta psicóloga

Perda de satisfação, cobrança constante e autoestima ligada ao desempenho podem favorecer sofrimento emocional

Débora Meira
Publicado em 17/05/2026 às 16:20
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Perder a motivação, sentir desgaste constante e deixar de encontrar satisfação no trabalho podem ser sinais de que algo não vai bem na relação profissional. Especialistas alertam que ambientes hostis, excesso de cobrança e a associação da autoestima ao desempenho profissional podem contribuir para o sofrimento emocional e até para o desenvolvimento de burnout. 

A sensação de desânimo no trabalho, a perda de interesse pelas atividades e o desgaste emocional constante têm se tornado cada vez mais frequentes entre trabalhadores. Embora o cansaço faça parte da rotina profissional, especialistas alertam que a insatisfação persistente pode indicar problemas mais profundos na relação com o trabalho. 

Segundo a psicóloga Thaís Pereira, um dos primeiros pontos de atenção é perceber quando uma atividade que antes gerava satisfação passa a provocar frustração ou exaustão. “Se é um trabalho que eu gosto, que eu escolhi fazer, e agora eu não sinto mais satisfação em relação a isso, é importante começar a observar o que está acontecendo nessa relação com o trabalho”, afirma. 

De acordo com a especialista, diversos fatores do ambiente profissional podem contribuir para esse desgaste emocional. Ambientes hostis, excesso de vigilância, cobranças constantes e falta de autonomia estão entre os principais elementos que afetam a saúde mental dos trabalhadores. “Quando a pessoa sente que precisa prestar contas o tempo todo, que não participa das decisões e que apenas executa tarefas sem autonomia, isso prejudica muito a satisfação no trabalho”, destaca. 

A psicóloga também explica que a forma como cada pessoa se relaciona emocionalmente com o trabalho pode influenciar diretamente no sofrimento diante das dificuldades profissionais. “Quando o trabalho passa a definir completamente o valor da pessoa, a autoestima e a felicidade dela, qualquer crítica, frustração ou dificuldade pode gerar um sofrimento muito intenso”, pontua. 

Segundo Thais Pereira, situações como não receber uma promoção, enfrentar conflitos no ambiente profissional ou até mesmo uma demissão podem provocar sentimentos de fracasso quando toda a identidade está associada ao desempenho no trabalho. “Se tudo o que eu sou depende do meu lugar no trabalho, qualquer problema pode trazer uma sensação de que eu não tenho valor ou que tudo foi em vão”, explica. 

A especialista ressalta ainda que pedir demissão nem sempre é a primeira solução para lidar com a insatisfação profissional. Antes de tomar decisões impulsivas, é importante refletir sobre os motivos do sofrimento e avaliar se existem possibilidades de mudança dentro do próprio ambiente de trabalho. “A demissão pode ser uma alternativa quando a pessoa já tentou conversar, se posicionar, estabelecer limites e percebe que aquele ambiente continua trazendo sofrimento. Mas também é importante olhar para a própria relação com o trabalho”, afirma. 

Para a psicóloga, reconhecer limites, estabelecer uma comunicação saudável e construir fontes de satisfação além da vida profissional são passos importantes para evitar o adoecimento emocional. “Em muitos casos, quando a pessoa consegue reorganizar essa relação com o trabalho, ela encontra um equilíbrio e a demissão deixa de ser a única saída”, conclui. 

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