
(Foto/Reprodução)
Uma nova tendência tem chamado a atenção nas redes sociais: os chamados "dopamine sites", plataformas que simulam toda a experiência de uma compra online, mas sem que o usuário gaste dinheiro ou receba qualquer produto. A febre, que começou na Coreia do Sul e já ganhou versões em português, faz sucesso principalmente entre a geração Z.
Esses sites permitem navegar por produtos, adicionar itens ao carrinho, concluir pedidos e até acompanhar uma entrega fictícia. O objetivo é proporcionar a sensação de prazer e expectativa associada ao ato de comprar, sem qualquer movimentação financeira.
Segundo especialistas, o fenômeno está ligado à liberação de dopamina, neurotransmissor relacionado à recompensa e ao prazer. A psiquiatra Ellen Paulino explica que o cérebro começa a liberar dopamina antes mesmo da compra ser concluída.
"Pesquisar produtos, acompanhar promoções, colocar itens no carrinho e receber notificações de desconto já podem gerar prazer e antecipação", afirma.
Além das compras, algumas plataformas também oferecem versões de apostas fictícias, conhecidas como "fake bet", nas quais o usuário simula jogos sem apostar dinheiro de verdade.
Por que isso faz tanto sucesso?
Para especialistas, o sucesso dos "dopamine sites" reflete um comportamento cada vez mais comum entre pessoas acostumadas a receber estímulos rápidos por meio das redes sociais, vídeos curtos e aplicativos.
A psicóloga Juliana Pereira afirma que a geração Z cresceu em um ambiente digital marcado pela gratificação imediata.
Segundo ela, isso não significa que todos desenvolverão compulsões, mas aumenta a exposição a comportamentos ligados à busca constante por recompensas rápidas e dificulta lidar com espera, tédio e frustração.
Quando o comportamento vira um problema?
Embora os sites funcionem como entretenimento para muitas pessoas, o uso excessivo pode indicar um padrão de consumo compulsivo.
Especialistas orientam atenção quando a pessoa:
Nesses casos, a recomendação é buscar acompanhamento psicológico ou psiquiátrico para evitar que o comportamento evolua para um transtorno relacionado ao sistema de recompensa do cérebro.