A dupla sertaneja percorreu 61 municípios mineiros em 2024, com faturamento de mais de 12,5 milhões de Reais com shows para prefeituras, pagos com verbas públicas
Dupla sertaneja Diego e Victor Hugo (Foto/Divulgação)
O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) está intensificando a fiscalização sobre os gastos das prefeituras mineiras com contratações artísticas. Um levantamento recente do órgão revelou que o gênero sertanejo lidera o faturamento com recursos públicos em shows, especialmente em pequenas cidades.
Entre os artistas que mais receberam dinheiro público em 2024 está a dupla uberlandense Diego e Victor Hugo. De acordo com o TCE-MG, os sertanejos arrecadaram R$ 12.609.850,00 com apresentações em 61 municípios, ocupando o 8º lugar no ranking de maiores faturamentos do estado.
A análise do Tribunal aponta que municípios menores são os que mais alocam verbas para shows de grandes artistas. Em Taquaraçu de Minas, que possui cerca de 4 mil habitantes, Diego e Victor Hugo cobraram R$ 300 mil por um show na X Festa do Cavalo 2024. Já em Manga, no extremo-norte de Minas Gerais, onde a população é de pouco mais de 18 mil pessoas, o valor do cachê subiu para R$ 360 mil.
Esses números acenderam o alerta do TCE-MG. O órgão já mediou ações judiciais para cancelar apresentações com valores considerados desproporcionais aos orçamentos de pequenos municípios.
Henrique Quites, diretor de Fiscalização Integrada do TCE-MG, destacou a importância de uma análise mais criteriosa desses gastos:
"No âmbito das fiscalizações das despesas públicas, chamou a atenção a expressiva parcela dos orçamentos que está sendo destinada a shows artísticos. Em um primeiro momento, com a publicação do painel, o Tribunal contribui para a transparência desses recursos públicos e possibilita um maior controle para o cidadão que está na ponta. A partir disso, outros desdobramentos poderão surgir, com avaliações tanto da regularidade das contratações, quanto a verificação da qualidade desses gastos."
A transparência, segundo o TCE-MG, é o primeiro passo para que os cidadãos possam acompanhar de perto como seus municípios estão utilizando o dinheiro público.