Especialista explica que o voto pode ser revelado espontaneamente, mas ninguém é obrigado a declarar sua preferência
Na madrugada de terça-feira (20), o influenciador Felca publicou um vídeo em suas redes sociais falando de bullying e fobia social. O conteúdo, contudo, frustrou parte dos internautas, que esperava um posicionamento político às vésperas do segundo turno das eleições. A repercussão foi noticiada pelo JM Online.
A cobrança para revelar a preferência eleitoral não se limita às personalidades públicas: também aparece em rodas de conversa, entre amigos e familiares. Mas até que ponto perguntar ou insistir para que alguém conte em quem vai votar é permitido e quando essa pressão pode violar direitos?
O advogado Geovane Soares explica que a Constituição Federal garante o voto direto e secreto, assegurando ao eleitor a liberdade de decidir se deseja ou não revelar sua preferência política. Essa proteção também se aplica a celebridades e influenciadores digitais, cuja visibilidade pública não cria uma obrigação legal de declarar voto ou apoiar candidatos.
Segundo ele, perguntar sobre a escolha eleitoral ou criticar o silêncio de uma pessoa não configura, por si só, crime. É necessário avaliar o contexto e a forma como a cobrança é feita. “A manifestação política deve ser livre”, destaca o advogado.
A situação muda quando a pressão envolve violência ou grave ameaça para obrigar alguém a votar ou deixar de votar em determinado candidato ou partido. Nesses casos, a conduta pode configurar crime previsto no artigo 301 do Código Eleitoral, com pena de reclusão de até quatro anos e multa. O delito pode ser caracterizado mesmo que a pessoa pressionada não ceda à ameaça.
Esse enquadramento se refere à tentativa de impor uma escolha eleitoral, e não automaticamente à cobrança para que alguém revele seu voto. O advogado também ressalta que ameaças e violações à honra ou à intimidade podem gerar outras consequências jurídicas, dependendo das circunstâncias.
O direito ao voto secreto não impede que as pessoas compartilhem espontaneamente suas posições políticas, nem proíbe toda pergunta ou crítica sobre o tema. A questão central é distinguir a manifestação livre de opinião de condutas que violem direitos ou tentem impor uma escolha por meio de violência ou grave ameaça.
“É necessário identificar qual direito foi violado e como isso aconteceu”, ressalta Geovane.