O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) poderá ter um novo modelo de redação a partir de 2028. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) discute uma proposta que amplia a produção escrita e distribui a avaliação entre diferentes áreas do conhecimento.
Atualmente, os participantes precisam produzir um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas sobre um tema determinado. Pela proposta em discussão, a redação passaria a ter 50 linhas, divididas da seguinte forma:
A proposta ainda não foi aprovada. Segundo o Inep, uma definição sobre o novo modelo deverá ocorrer até o final de 2026.
A ideia em discussão é ampliar os tipos de raciocínio cobrados dos estudantes. Em vez de concentrar a produção textual em apenas um tema, o novo formato buscaria avaliar conhecimentos e habilidades relacionados às diferentes áreas do ensino médio.
As discussões estão sendo realizadas em reuniões técnicas com participação de especialistas e representantes do Ministério da Educação (MEC).
Em nota, o Inep afirmou que não existe, até o momento, uma decisão final sobre os detalhes de implementação. O instituto informou que a proposta ainda será discutida e finalizada.
A possível alteração na redação faz parte de uma transformação mais ampla no papel do Enem.
Em março deste ano, um decreto determinou que o exame também será utilizado para avaliar a aprendizagem dos estudantes ao final do ensino médio, em integração com o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
O Enem continuará sendo utilizado para acesso ao ensino superior por meio de programas como Sisu, Prouni e Fies.
A intenção é que os resultados também possam contribuir para diagnósticos sobre a educação básica, incluindo o acompanhamento de desigualdades e metas educacionais.
A possível mudança não vale para a edição de 2026. O formato atualmente utilizado continua sendo o modelo dissertativo-argumentativo de até 30 linhas.
Caso a proposta seja aprovada, a alteração está prevista para começar somente a partir do Enem 2028.
No Enem 2025, estudantes e professores relataram a percepção de notas mais baixas na redação. Na ocasião, o Inep negou ter alterado os critérios de correção.
Segundo o instituto, um dos fatores relacionados à avaliação foi o uso mais frequente de modelos prontos e repertórios memorizados, conhecidos como “repertórios de bolso”.
O órgão afirmou que referências genéricas, utilizadas sem relação consistente com o tema ou com a argumentação, já poderiam ser penalizadas em edições anteriores.