Fiéis consideram o marido de Maria e padrasto de Jesus o 'santo das chuvas'
Uberaba e várias cidades de Minas Gerais amanheceram com chuva nesta quinta-feira (19/03), Dia de São José. Para fiéis, o clima chuvoso é motivo de comemoração na data de hoje, já que uma das crenças populares mais antigas diz que quando chove no dia do santo, é sinal de que o inverno será próspero. Em Minas Gerais, a chuva é conhecida como "Enchente das Goiabas" ou "Enchente de São José".
Entenda:
A crença de comemorar a chuva é mais popular na região nordeste, em que o inverno é tradicionalmente um período mais chuvoso, diferente do que acontece no sudeste do Brasil, por exemplo. Agricultores que sofrem com a seca acreditam que, se chove no Dia de São José, os próximos meses serão prósperos para a colheita.
"São José era muito reverenciado pelos eremitas e anacoretas, que viviam no deserto. Peregrinando no deserto, os monges tinham dificuldades em encontrar água e rezavam ao esposo de Nossa Senhora para que lhes saciasse a sede. Acredita-se que por essa razão, tornou-se o padroeiro das chuvas e águas, no Oriente. É clássico o episódio da samaritana, à beira do Poço de Jacó (Jo 4, 5ss). Em Nazaré, José substituiu Maria, que grávida, não podia dirigir-se aos mananciais para apanhar água. Nasceu, então, o seu culto como o santo das chuvas, de grande devoção dos nordestinos", explica o Padre João Medeiros Filho, da Arquidiocese de Natal.
No Sudeste e Centro-Oeste, a chuva no Dia de São José tem outro significado. A famosa 'águas de março' significa o fim das chuvas com temporais frequentes na região.
A teoria também tem explicação na metereologia. A data coincide com a chegada do equinócio de outono no Hesmisfério Sul, que acontece por volta de 20 ou 21 de março. A transição de estação favorece a formação de nuvens e instabilidades atmosféricas.
Enchente das Goiabas
O termo 'enchente das goiabas' é bem comum no interior de Minas. A crença surge há décadas atrás, nas zonas rurais, quando era bastante comum encontrar goiabeiras plantadas ao longo de rios, córregos e ribeirões. A frutificação começava em janeiro, e, ao chegar março, grande parte das goiabas já estava madura, com a casca amarelada e prestes a cair dos galhos.
Nessa época, especialmente por volta do dia 19 de março, o terreno já se encontrava encharcado devido às chuvas intensas do fim do verão que começam dias antes. Tempestades acompanhadas de ventos fortes faziam com que muitas frutas despencassem, e as cheias repentinas acabavam arrastando as goiabas para dentro dos rios, lagos e córregos.
Fonte: O Tempo