Moradores se preocupam e temem que novo desastre aconteça na região
Foto/Reprodução EM/ Gladyston Rodrigues
Represa no complexo tem sinais que aparentam deslizamento recente
Moradores que vivem na comunidade do Córrego do Feijão, em Brumadinho, continuam revivendo os momentos de terror com a lembrança da onda de rejeitos descendo da Barragem I, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Só que o medo ainda não acabou: eles temem em razão de outra atividade mineirária nas proximidades, na área da Mineração Ibirité Ltda. (MIB), vizinha a Vale, situada a pouco mais de um quilômetro do povoado.
Apesar de a atividade no local ter sido suspensa na última semana pela Justiça, a equipe de reportagem do Jornal Estado de Minas, que está na região, relata ter flagrado máquinas pesadas trabalhando pelos terrenos, em um movimento que preocupa a comunidade.
O pedido de suspensão das atividades foi feito pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), justificando a proximidade com as estruturas da Vale e, com isso, a atividade da empresa naquela região também está em risco. Em sua decisão, a juíza Perla Saliba Brito determinou que a empresa adote medidas para impedir “todo e qualquer carreamento de sedimentos para os córregos do Feijão e Samambaia”, e que fossem contidos “todos os processos erosivos da área dos taludes da cava, nas pilhas de estéreis e nas vias de circulação interna do empreendimento”.
Conforme a reportagem do EM, foi registrada uma grande movimentação de caminhões e tratores, com máquinas retirando terra em um terreno e colocando nos veículos de carga, que seguiam até o pé de uma das barragens, onde o material era depositado. A equipe destaca, ainda, que foi possível observar um grande reservatório com rejeitos de minério em estado fluido e que parte da barragem desbarrancou, já que havia terra deslocada.
Outro lado. Em nota encaminhada à reportagem do EM, a MIB afirma que mantém as atividades de exploração mineraria paralisadas, conforme decisão judicial. “A empresa realiza serviços de manutenção regular dos acessos, das estruturas e drenagens. Todas as ações visam garantir as condições de segurança do local, de acordo com o que foi determinado pela justiça”, acrescenta o texto.
Apuração. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Semad) informou, em nota, que os fatos denunciados foram recebidos e garantiu que fará apuração documental e “agendaremos uma fiscalização para verificação in loco. Se constatada alguma irregularidade, tomaremos as medidas administrativas cabíveis”, completa.
*Com informações do Jornal Estado de Minas