Uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que mais de 12 milhões de famílias brasileiras possuem dívidas. Dentre elas, aparecem em destaque as dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal ou prestação de veículos e de imóveis.
O endividamento das famílias brasileiras atingiu o maior patamar dos últimos 12 anos, como mostram os dados divulgados na pesquisa da CNC, nesta segunda-feira (29). Segundo especialistas, o alto índice de endividamento tem como uma das causas o aumento na procura por crédito, uma vez que este é apontado como sendo a forma mais eficiente para que o consumidor consiga recompor seu poder de compra.
Devido a isso, surge então uma necessidade de estratégia eficaz e um bom serviço de avaliação de crédito por parte de varejistas e empresas de bens e serviços, principalmente dos pequenos e médios negócios, visando minimizar o risco de inadimplência, como ressaltam especialistas.
“A análise de crédito ainda é a ferramenta mais segura para o setor enfrentar o endividamento com o uso correto deste instrumento, é possível tomar decisões que acarretam riscos menores e, consequentemente, reduzem os prejuízos”, afirma Humberto Bocayuva, head de marketing da Quod, empresa de inteligência de crédito e uma das gestoras do Cadastro Positivo.
Para que as decisões sejam tomadas de forma assertiva e eficiente, evitando constranger o consumidor que possa estar em uma situação pontual de inadimplência é preciso estudar detalhadamente cada caso.
"É importante que a análise de crédito contenha informações suficientes sobre o histórico de pagamento desse consumidor, entendendo seu comportamento financeiro para, assim, avaliar corretamente a capacidade de honrar a sua dívida'', acrescenta Bocayuva, que lista quatro passos que as empresas devem seguir para garantir melhores resultados.
O primeiro deles é repensar a forma de fazer análise de crédito. Ainda hoje, muitas empresas fazem esta análise avaliando apenas os dados de negativação. No entanto, com o Cadastro Positivo, implementado no país em 2019, também é possível ter acesso ao histórico de pagamentos do consumidor. Desde então, as empresas passaram a receber um volume maior de informações que precisam ser consideradas: score de crédito, indicadores e outros números que ajudam a interpretar os dados, entender o comportamento financeiro do cliente, qual o nível de risco e a probabilidade de pagamento. Com o Cadastro Positivo, é possível tomar uma decisão mais segura, com menor risco de inadimplência e de forma mais justa para o consumidor.
Outro ponto apontado por Bocayuva é a valorização dos bons pagadores e o controle das informações. Segundo o especialista, uma das estratégias para evitar a inadimplência a longo prazo é conhecer o comportamento financeiro do cliente, valorizando e dando atenção aos bons pagadores registrados em um negócio. Uma maneira de se colocar isso é sempre oferecer novas formas de pagamento ou descontos para quem honra os vencimentos em dia. Assim, é possível estimular o cumprimento do pagamento nas datas estipuladas, reduzir o risco de prejuízos e, ainda, incentivar novas compras. Isso vale tanto para clientes que já estão na carteira, quanto para os novos. Para isso, é preciso acompanhar diariamente os números gerais do negócio. Qual o volume total, quantos e quais são os clientes inadimplentes, quais são os bons pagadores mais recorrentes. Tudo isso ajuda na identificação de falhas e promove melhorias no processo.
O especialista ressalta a importância em auxiliar os devedores no controle das dívidas. Segundo ele, o acompanhamento e controle dos clientes devedores é uma das soluções mais eficazes contra a inadimplência. Com isso, é possível elaborar uma estratégia de cobrança mais efetiva e menos invasiva. Vale lembrar que cada cliente possui necessidades e características próprias que influenciam diretamente no pagamento ou não das dívidas. Deste modo, é importante acompanhar todos os pagamentos, enviando lembretes e avisos próximos ao vencimento, o que pode ser feito por SMS, app de mensagem ou e-mail, por exemplo. Caso a inadimplência persista, Bocayuva instrui que a empresa entre em contato com cada um dos clientes devedores na tentativa de entender o que pode estar acontecendo. Com isso, é possível, segundo ele, que a empresa identifique se o cliente passa por dificuldades, se houve esquecimento em relação ao pagamento ou se está agindo de má fé.
Por fim, Bocayuva frisa a importância de se negociar e facilitar o pagamento para os clientes. É preciso que fique claro ao cliente os benefícios que o mesmo possui ao não atrasar ou mesmo deixar de pagar um compromisso financeiro. Na hora da negociação o cliente precisa saber que pode manter seu score alto, nome limpo e que, ao realizar pagamento em dia, pode participar de programas de vantagens voltados para bons pagadores da empresa.
Em contrapartida, tão válido quanto às vantagens, é necessário alertar o cliente sobre as possíveis restrições para consumidores inadimplentes. Dentre elas a perda do cadastro na empresa ou mesmo ter seu nome negativado. Se o contato e a relação com o consumidor forem positivos, o especialista acredita que isso servirá como estímulo para que ele pague e se mantenha dentro da carteira de clientes.
Outra ferramenta que facilita o pagamento em dia, é a inserção de uma “área do cliente” em uma plataforma on-line. Com o recurso, o cliente tem acesso aos boletos e faturas a serem pagos, uma vez que, segundo Bocayuva, o não recebimento dos documentos a serem quitados ainda é um dos casos mais comuns no atraso de pagamento. O especialista também acredita ser válido conversar com o cliente e entender a forma como ele prefere receber as cobranças.