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Estudo mostra que fumo aumenta chances de hospitalização pela COvid-19 em até 80%

Publicado em 28/09/2021 às 08:53Atualizado em 18/12/2022 às 16:14
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Depois de mais de um ano e meio da pandemia de coronavírus, a incógnita sobre a relação entre cigarro e covid-19 tem sido tamanha que os resultados de diferentes estudos científicos apontaram desde um maior risco para fumantes à possibilidade de um efeito protetivo do tabaco.

Nesta segunda-feira (27), pesquisadores das universidades de Oxford e Bristol, no Reino Unido, dizem ter desenvolvido um método inédito para responder a essa pergunta. Em resumo, a resposta que eles dão é: fumar aumenta sim a chance de gravidade e morte por covid-19.

Em uma primeira parte do estudo, os cientistas partiram de um gigantesco banco de dados de saúde do Reino Unido, o UK Biobank, que contém informações sobre meio milhão de pessoas. Eles cruzaram estes dados com informações sobre testes positivos, hospitalizações e mortes por covid-19 em 2020; e também classificaram as pessoas entre as que nunca fumaram; as ex-fumantes; e as fumantes.

Com isso, os autores descobriram que os fumantes tinham 80% mais chances de serem hospitalizados com covid-19 do que as pessoas que nunca fumaram. A probabilidade de morrer pela nova doença chegou a ser de 2 a 6 vezes maior, dependendo da quantidade de cigarros fumados por dia.

Os resultados foram publicados na revista científica Thorax, do grupo de periódicos médicos BMJ, após o trabalho passar pelo processo de revisão dos pares (peer review).

Do meio milhão de pessoas cujos dados estão no UK Biobank, os autores do estudo chegaram a 1.649 pessoas que testaram positivo para o coronavírus em 2020.

Entretanto, não foi constatado no estudo uma relação entre infecção e fumo — ou seja, os resultados mostram que o cigarro aumenta as chances de gravidade de morte, mas não conseguiu constatar maior probabilidade de pegar a doença.

Esta parte do trabalho usa um método observacional, como boa parte de outros estudos científicos que buscaram responder à questão. Pesquisas assim muitas vezes trabalham em cima de dados do passado e que são permeáveis a interferências da "vida real", como o estilo de vida e particularidades locais do grupo estudado. Elas são capazes de estabelecer uma correlação, mas não uma causalidade, entre fatores (no caso, fumo e covid-19). 

A predisposição genética à entrada no tabagismo foi associada a uma chance 45% maior de infecção; 60% de internação; e 35% de morte pro covid-19.

Já a predisposição ao fumo pesado elevou as chances de infecção em 2,5 vezes; de hospitalização em 5 vezes; e de morte, em 10 vezes.

"Uma das vantagens cruciais do nosso trabalho é a consideração tanto de análises observacionais quanto genéticas para chegar a conclusões. Isso permite lidar com possíveis limitações de uma única abordagem e focar no conjunto de evidências — que sugere de forma consistente o efeito prejudicial do tabagismo nos quadros de covid-19", apontou Clift.

*Com informações de BBC News

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