VAI UM CAFEZINHO?

Exportações de café solúvel caem 10% após tarifaço, e demanda interna bate recorde

Nesta semana, o vice-presidente Geraldo Alckmin disse, durante evento em BH, que o governo deve dialogar com os EUA para reduzir as tarifas

Raíssa Pedrosa/O Tempo
Publicado em 11/02/2026 às 20:30
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As exportações de café solúvel tiveram uma queda de 10,6% em 2025, impactadas principalmente pelas tarifas de 50% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O país norte-americano é o principal comprador do produto, no ano passado foram 558,4 mil sacas (em 2024, haviam sido 777,4 mil). Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).

Nesta semana, após o Conexão Empresarial, evento promovido pela revista Viver Brasil, Blog do PCO e O Tempo, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, revelou que o governo federal já trabalha junto aos Estados Unidos para reduzir as tarifas de importação. “Já foram liberados produtos como carne e café (em grão), e agora buscaremos a liberação do café solúvel. Nosso objetivo é diminuir ao máximo as tarifas. Tenho confiança em um bom desempenho econômico”, afirmou.

De acordo com o relatório da Abics, as exportações nacionais do produto totalizaram 85 mil toneladas, o equivalente a 3,6 milhões de sacas de 60 kg ao exterior. Só para os EUA, os embarques do produto recuaram 28,2% em relação a 2024. “No período da aplicação dessa tarifação de 50%, entre agosto e dezembro, a redução foi ainda mais drástica: 40% ante o mesmo período do ano anterior. Isso evidencia o impacto direto e imediato da barreira comercial na competitividade do café solúvel nacional nesse mercado vital”, aponta Aguinaldo Lima, diretor executivo da Abics.

Apesar da queda na exportação, a demanda interna no Brasil bateu recorde. O consumo interno de café solúvel absorveu 27 mil toneladas, equivalentes a 1,1 milhão de sacas, um crescimento de 9,5% na comparação com 2024. “Essa performance reflete uma preferência crescente do consumidor brasileiro por essa modalidade de café e o sucesso das estratégias das indústrias de solúvel para o mercado doméstico. A menor inflação sobre o produto — 34% no acumulado de 2024/25 contra 75% do torrado e moído — também deve ter contribuído”, analisa Aguinaldo Lima.

Perspectivas para 2026

O relatório da Abics aponta a necessidade de buscar novos mercados para suprir a queda das exportações para os EUA. No ano passado, a Argentina foi um dos países que mais se destacaram no consumo do café solúvel brasileiro. As exportações para o país vizinho cresceram 40% – um salto de 208 mil sacas para 291,9 mil. 

A Abics coloca também a Reforma Tributária como ponto de atenção para este ano. Isso porque a aprovação da Reforma Tributária extinguirá, a partir de 1º de janeiro de 2027, as contribuições sociais sobre a receita bruta (PIS/Pasep e COFINS) ao segmento de café solúvel. Segundo a Abics, isso impedirá que o crédito presumido de 7,4% do valor adquirido de café verde industrializado para exportação seja apurado.

Fonte: O Tempo.

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