A RR Donnelley, multinacional responsável pela prova desde 2009, encerrou suas operações no Brasil
A gráfica que imprimiria o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) decretou falência e a paralisação de todos os trabalhos. A decisão poderá afetar o exame, que já vem sendo questionado pelo governo federal. A RR Donnelley, multinacional responsável pela prova desde 2009, informou que “precisou encerrar suas operações no Brasil” por causa das “atuais condições de mercado”.
A notícia causou insegurança em estudantes que se preparam para o exame, que, em 2018, teve 6 milhões de candidatos. Para que o cronograma não se atrase, o ideal é que a prova vá para a gráfica ainda este mês ou, no máximo, em maio. O vestibular será em novembro e as inscrições para quem quer pedir isenção da taxa começaram ontem.
O pedido de falência chega em hora complicada na Educação, acentuando crise na pasta. Na semana passada, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Marcus Vinicius Rodrigues, foi demitido ao se desentender com o ministro Ricardo Vélez Rodríguez. O Inep é o órgão responsável pelo Enem. O presidente do Inep daria o aval par ao trabalho da comissão criada no mês passado para avaliar questões consideradas “inadequadas” na prova. Ainda não foi nomeado um substituto.
A RR Donnelley assumiu a impressão quando a prova foi roubada e cancelada em 2009, na gestão de Fernando Haddad no MEC. Depois disso, foram feitas apenas duas licitações nesses dez anos para impressão da prova - em 2010 e em 2016. Ambas foram vencidas pela RR Donnelley e os contratos foram prorrogados por cinco anos. Em 2016, o valor do serviço era de R$ 130 milhões. Em 2016, a concorrente da RR Donnelley, a Gráfica Plural, entrou com representação no Tribunal de Contas da União alegando “direcionamento no certame” em decorrência de “exigências restritivas”, mas até hoje não há deliberação do TCU a respeito. Vale a menção de que o roubo do Enem em 2009 foi justamente dentro da Gráfica Plural que havia sido contratada por um consórcio vencedor da licitação para aplicar a prova. A Justiça, no entanto, não responsabilizou a gráfica pelo crime porque o furto foi realizado em um ambiente cedido para o consórcio.
*Com informações do Estado de S.Paulo