Enquanto varejo defende manutenção da cobrança sobre importados, governo avalia revisão e parlamentares discutem proposta para encerrar imposto em meio a pressões eleitorais
O debate sobre a possível revisão ou fim da chamada “taxa das blusinhas” passou a integrar a agenda política de 2026 e se tornou mais um ponto de tensão entre governo, Congresso e setores do comércio e da indústria. O tema voltou a ganhar força após manifestações de entidades do setor produtivo em defesa da manutenção da cobrança sobre compras internacionais de até US$ 50, ao mesmo tempo em que o Executivo avalia possíveis mudanças na regra e parlamentares discutem propostas para derrubar o imposto.
A taxa foi instituída em agosto de 2024 e passou a ser aplicada como forma de tributar compras internacionais de pequeno valor. Desde então, tornou-se alvo de disputa entre quem defende a medida como instrumento de equilíbrio concorrencial com a indústria nacional e quem a critica por encarecer produtos importados e impactar o consumo de menor valor.
Em manifesto assinado por 53 entidades, entre elas a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), o setor produtivo afirma que a taxação ajudou a reduzir distorções tributárias, preservar empregos e até contribuir para a estabilidade de preços em segmentos como vestuário. O grupo também sustenta que o consumidor teria sido beneficiado pela maior concorrência e pela ampliação da oferta de produtos com conformidade a normas nacionais.
O documento ainda contesta a ideia de queda significativa no consumo após a adoção da medida e cita pesquisas indicando que uma parcela minoritária dos consumidores deixou de comprar em plataformas internacionais. As entidades reforçam que, apesar das mudanças no sistema tributário, a diferença de carga entre produtos nacionais e importados ainda persiste, mantendo o tema no centro do debate econômico e político.
No campo político, a discussão ganha relevância adicional por ocorrer em um ano eleitoral, com governo e Congresso avaliando os efeitos econômicos e a repercussão sobre o custo de vida. Assim, a “taxa das blusinhas” deixa de ser apenas uma medida tributária e passa a integrar disputas mais amplas sobre consumo, competitividade e arrecadação, com potencial de influenciar narrativas eleitorais em 2026.