
Eduardo Bolsonaro é acusado de articular medidas para intimidar o STF às vésperas do julgamento que condenou o pai, Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado (Foto/Beto Barata/PL)
BRASÍLIA - Está marcado para a próxima terça-feira (14), no Supremo Tribunal Federal (STF) o interrogatório do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na ação penal que trata da acusação de coação no curso do processo. Embora a oitiva tenha sido agendada pelo ministro Alexandre de Moraes, há poucas chances de o depoimento se concretizar, diante da possível ausência do ex-parlamentar, que está nos Estados Unidos.
A audiência por videoconferência integra a ação em que Eduardo é acusado de tentar interferir em investigações judiciais, em um caso que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ataques às instituições. O interrogatório é uma das etapas da fase de instrução, quando o STF reúne depoimentos e provas antes do julgamento.
A incerteza sobre a realização do ato está ligada às dificuldades já relatadas pela Justiça para localizar o ex-deputado. Diante desse cenário, o STF recorreu à notificação por edital, quando a comunicação é feita de forma pública. Ainda assim, investigadores avaliam que a ausência de Eduardo na audiência é uma possibilidade concreta.
Eduardo foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República em setembro de 2025 pelo crime de coação no curso do processo. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirma que o ex-deputado está no exterior atuando para promover “graves sanções” contra o Brasil, com o objetivo de impedir uma eventual condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Desde o ano passado, Eduardo vive fora do país e tem adotado uma postura de confronto com decisões do Judiciário brasileiro. Ele perdeu o mandato na Câmara dos Deputados por excesso de faltas injustificadas.
Ao longo desse período, passou a articular ações nos Estados Unidos contra o Brasil, incluindo iniciativas que resultaram em sanções econômicas e diplomáticas. O filho do ex-presidente nega irregularidades, afirma ser alvo de perseguição e critica decisões do Judiciário.
Apesar da falta de respostas oficiais de Eduardo ao STF e das incertezas sobre a realização do interrogatório, o processo segue em curso. Moraes já indicou que há elementos mínimos para o avanço da ação, afastando, por ora, a possibilidade de encerramento antecipado do caso.
Fonte/O Tempo