Caminha para a reta final a tramitação de processo na Justiça Federal de Uberaba com origem na chamada operação “Ouro
Caminha para a reta final a tramitação de processo na Justiça Federal de Uberaba com origem na chamada operação “Ouro Branco”. Ontem foram ouvidas quatro testemunhas arroladas pelo Ministério Público Federal, em audiência com acesso livre à imprensa, onde também estavam todos os réus no processo, ou seja, os dirigentes e os funcionários da Copervale, bem como o químico que prestava serviços à cooperativa, seus respectivos advogados e o procurador federal Frederico Paiva, que atualmente representa o MPF em Uberaba.
Nos autos, a Justiça apura a ocorrência de alegada prática criminosa, com adulteração do leite UHT, conforme denúncia que deu origem ao processo, bem como eventual responsabilidade.
Conduzindo os trabalhos estava o juiz federal Alexandre Henry Alves, no caso desde a deflagração da operação, em outubro de 2007, com várias prisões realizadas na época e repercussão na mídia nacional.
Como os réus foram ouvidos em audiência anterior, ontem foram ouvidas as testemunhas Flávia Correia, Wellington Teodoro Rosa, Ricardo Ruiz e Márcio Valério. Os dois primeiros são funcionários da Copervale, sendo Wellington auxiliar de laboratório, enquanto Flávia é a engenheira de alimentos da cooperativa. Quanto a Ricardo, foi o delegado que presidiu as investigações na época, enquanto Valério era o delegado-chefe da PF em Uberaba.
A engenheira Flávia negou ter conhecimento da existência da alegada adulteração, enquanto o auxiliar de laboratório revelou ter se sentido coagido quando esteve na delegacia da PF, chegando a declarar que assinou seu depoimento sem sequer ler.
O mais questionado, especialmente pelos advogados, foi o delegado Ricardo Ruiz, em razão de o mesmo ter presidido a operação. Já no primeiro questionamento, o advogado Cláudio Fontoura quis saber se, no dia da operação, a Polícia Federal informou aos suspeitos conduzidos qual a acusação recaía sobre cada um e se informou das provas existentes. Justificando, o defensor ressaltou o direito de todos serem informados à respeito, conforme determina o pacto de São José da Costa Rica, documento que tem o Brasil como signatário.
A Justiça também colheu o depoimento de Gilson Fernando de Souza, ex-funcionário da empresa e autor da denúncia de adulteração do leite, conforme o mesmo declarou ao procurar a Promotoria de Defesa do Consumidor. Ele reafirmou o que disse na época, mas sem a convicção demonstrada antes.
Nova audiência será marcada, desta vez para ouvir as testemunhas de defesa. A partir daí o processo segue para alegações finais e posterior julgamento.