Foto/Divulgação
Carolina Marques afirma que o estresse prolongado aumenta a produção de hormônios que reduzem o gasto calórico para poupar energia do organismo
Obesidade é considerada por especialistas como uma epidemia mundial. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), só no Brasil mais da metade da população está com sobrepeso e a obesidade atinge 20% das pessoas adultas.
De acordo com a neuropsicóloga Carolina Marques, o estresse crônico vivido por boa parte da população é um fator importante para o ganho de peso. “O estresse por si só é uma emoção protetora do organismo. É a função primária de nos proteger e preparar para enfrentar algum perigo. Mas, quando essa situação se prolonga, há a produção aumentada de uma série de hormônios, como cortisol, noradrenalina, adrenalina e GH (hormônio do crescimento). Todos eles levam à redução do gasto calórico para poupar energia do organismo, favorecendo assim o ganho de peso ou a dificuldade em perder peso”, explica.
Ainda segundo Carolina, o cortisol, um dos vários hormônios secretados em situações de estresse prolongado, é o que mais contribui para o ganho de peso. “Ele age no hipotálamo, área do cérebro envolvida no controle do apetite, e ativa enzimas que levam à multiplicação das células de gordura, incentivando o depósito de tecido adiposo na região abdominal e promovendo a produção de uma substância (neuropeptídeo Y) que estimula a produção de tecido gorduroso”, ressalta.
Ela explica que o estresse aumenta o desejo por alimentos calóricos, ricos em carboidratos e gorduras. O carboidrato transforma-se em energia rapidamente, aumentando a serotonina circulante, o que traz a sensação de prazer. A gordura é fácil de ser armazenada para situações hipotéticas de perigo. Carolina esclarece que, para evitar o ganho de peso, o primeiro passo é gerenciar o estresse. “O excesso de peso é um fator de risco importante para desenvolver outras doenças, como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, depressão e ansiedade. Mas o estresse pode e deve ser controlado. Tudo é uma questão de hábito, ou seja, para termos mais qualidade de vida, precisamos mudar nossos comportamentos e fazer escolhas melhores até que se tornem hábitos”, finaliza.