Com pouco mais de um salário na carteira, como piso da categoria, garçons da cidade reclamam a falta de repasse dos 10% cobrados do cliente pelo estabelecimento comercial. Segundo um profissional que trabalha em restaurante da cidade, a maioria das empresas, como hotéis, restaurantes e bares não repassam para os garçons o valor pago pelo cliente, que por sua vez, deixa de dar a famosa gorjeta por entender que já deu a sua colaboração nos 10%. De acordo com o garçom, que prefere não ser identificado, com os 10%, o salário pode chegar a R$ 1,2 mil por mês. Sem eles, a remuneração é de R$ 561 mais hora extra. “O nosso sindicato nada faz para fiscalizar a situação”, reclama o profissional. O presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, Restaurantes e Similares, Milton Ferreira Amaral explica que os 10% não são destinados no total para o garçom, mas, rateados, por pontuação, para os demais empregados do estabelecimento, como cozinheira, gerente, copeiras, etc. Milton confirma, inclusive, que algumas empresas de Uberaba, como restaurantes e hotéis não cumprem o acordo, firmado com o sindicato dos empregados e os próprios funcionários, apesar da cobrança do cliente, o que, segundo ele, é considerado prática de “caixa dois”. O líder classista ressalta que já existe um projeto de lei tramitando no Congresso Nacional para transformar a cobrança dos 10% em lei. No Procon, o diretor Rodrigo Matheus disse que da competência do órgão está apenas o direito do consumidor. Para ele, o pagamento dos 10% não é obrigatório. “O cliente paga se quiser”, afirma Rodrigo, para quem a baixa demanda no Procon reflete a cultura já enraizada na população uberabense.
Quanto ao destino do dinheiro, não compete ao Procon fiscalizar, por tratar-se de direito trabalhista, cabendo ao sindicato, aos empregados e até ao Ministério do Trabalho, se acionado.