A aprovação da gasolina E30 (30% de etanol) no Brasil reacendeu o debate sobre eficiência energética. Motoristas temem que o aumento do teor de álcool na mistura piore o consumo dos veículos.
Em entrevista exclusiva ao AUTOTEMPO, o professor Renato Romio, do Instituto Mauá, revela o que os testes técnicos mostraram – e derrubou mitos.
Diferença no consumo
Romio explicou que o salto de 27% para 30% de etanol na gasolina terá impacto mínimo, imperceptível em suas palavras. A razão? A substituição de 3% de gasolina por etanol não reduz drasticamente a energia da mistura.
"Nas medições em laboratório de consumo, a gente não conseguiu perceber uma diferença grande. Um carro que faz 10 km/L manteria 9,8 ou 9,9 km/L", exemplificou.
Questionado sobre o temor de redução na distância percorrida com um tanque, o especialista foi categórico: "Se o consumo quase não muda, a autonomia seguirá praticamente igual também". O especialista ressaltou ainda que as variações climáticas ou de direção influenciam mais que a nova fórmula da gasolina.
E a tabela de consumo do Inmetro?
O Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) continuará usando gasolina com 22% de etanol em seus testes. "Não há planos de atualizar o padrão para E30 no curto prazo", explicou Romio.
Atualmente, 658 modelos/versões de automóveis de 33 montadoras têm a eficiência energética atestada pelo órgão. Por nota, o Inmetro informou à reportagem que não existe conexão entre os resultados apresentados pelo PBEV com a composição da nova gasolina E30.
"Caso a composição da nova gasolina influencie o desempenho dos veículos no uso real, esse efeito será generalizado para todos os modelos, sem alterar os resultados obtidos nas medições padronizadas, declarados nas etiquetas e na Tabela do PBEV", esclareceu o órgão.
Carros antigos sobreviverão à E30?
Os testes do Instituto Mauá incluíram prioritariamente modelos exclusivamente movidos a gasolina desde os anos 90, incluindo carburados.
Nenhum dano imediato foi detectado, mas Romio fez ressalvas: "Avaliamos funcionamento, não durabilidade a longo prazo", esclareceu o engenheiro.
"O que houve foram diferenças em alguns tempos de aceleração, basicamente isso. Para se ter ideia, de 16 automóveis testados encontramos variações em 4 deles, sendo que um deles o tempo de aceleração diminuiu e, nos outros 3, ele ficou maior", revelou Romio.
Preço da gasolina: Promessa ou ilusão?
Embora o etanol custe até 30% menos que a gasolina, Romio foi cauteloso na resposta sobre a possível queda do preço da gasolina no futuro como prometido pelo governo Lula.
"O aumento do consumo vai ser imperceptível, mas em relação à redução de preços da gasolina, vai depender muito do mercado. Atualmente, o etanol está mais barato que a gasolina, mas a gente sabe como que a ideia é muito definida pelo mercado", concluiu o professor.
Fonte: O Tempo.