Dentre elas, duas são em Ituiutaba (Biodigestor C e D, ambas de propriedade da JBS) e outra em Uberlândia (APP, de propriedade da Geociclo)
Foto Edésio Ferreira/EM/DA Press
Técnicos vistoriam barragem com suspeita de instabilidade em Minas
O emblemático rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, naquele fatídico dia 5 de novembro de 2015 trouxe ao mineiro um grande med ser varrido sem qualquer chance de escapatória em uma onda de rejeitos de minério, algo que parecia impossível até então, mas deixou em seu rastro 19 mortes, sendo que duas vítimas não tiveram sequer seus corpos localizados. Tempos depois, o temor voltou a bater à porta dos mineiros quando a Barragem de Casa de Pedra, em Congonhas, apresentou infiltrações graves, levando a intervenções urgentes na estrutura e à implantação de sistema de evacuação de emergência para as cercas de 4.800 pessoas que residem a apenas 250 metros do complexo.
Segundo a procuradora de Justiça e membro da força-tarefa Rio Doce, Andressa Lanchotti, há pelo menos 400 barragens de rejeitos no Estado, sendo que cerca de 10% delas precisam ser monitoradas de perto por perigos de ruptura. Lanchotti acompanha e cobra pelo Ministério Público de Minas Gerais ações após a tragédia de Mariana.
“Usamos o inventário da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam), estudos técnicos do MP com indicadores de quais estruturas estão em risco, dados estatísticos de processos, inquéritos civis e chegamos ao número de 37 barragens. Mas não dá para falar com segurança que além dessas não tenhamos outras em situação de risco”, revelou ela ao Estado de Minas. A Feam aponta a existência de 50 barragens sem garantia de estabilidade, nem todas de rejeitos.
Dentre as estruturas preocupantes, algumas estão mais perto dos uberabenses. Em Ituiutaba, que fica a 244 quilômetros de Uberaba, há duas barragens de propriedade da JBS que não têm garantia de estabilidade: Biodigestor C e Biodigestor D. Além dela, em Patos de Minas (276 quilômetros de Uberaba) está a Barragem B, de propriedade da Vale Fertilizantes, que também não é garantida. No município de Tupaciguara são três barragens cuja garantia de estabilidade não é conclusiva: Reservatório e Vinhaça, ambas de propriedade da Destilaria Cachoeira, e Reservatório de propriedade de Vazante Agropecuária. Na vizinha Uberlândia está localizada a barragem APP, de propriedade da Geociclo, que também não tem garantia conclusiva.