Governo Federal estuda aumentar o valor de benefícios pagos a servidores federais em vez de conceder reajuste salarial. A medida tem como objetivo acalmar a movimentação da categoria em busca da correção dos vencimentos e é considerada como alternativa de custo reduzido, se comparada ao impacto que a correção de salários teria nas contas da União. Dirigentes sindicalistas, no entanto, rechaçam a ideia.
Cálculos da área econômica indicam que a cada 1% de reajuste concedido a servidores elevaria os gastos em pelo menos R$ 3 bilhões. O valor, no entanto, está muito acima da verba disponível no Orçamento de 2022 para correções salariais, que é de R$ 1,7 bilhão, suficientes apenas para um reajuste de 0,5% no contracheque dos servidores.
Uma oferta assim seria recebida como ofensiva pelo funcionalismo. Em contrapartida, os benefícios poderiam ter percentual de reajuste mais robusto, por serem de menor valor. O auxílio-alimentação, por exemplo, é de R$ 458 mensais para servidores ativos do Executivo.
Representantes de entidades sindicais, no entanto, avaliam que a possibilidade de aceitar correções apenas nos benefícios em vez de reajustes nos salários está fora de cogitação. Entre os motivos para a negativa está a recomposição das perdas inflacionárias, que estariam em torno de 28% segundo a categoria. Além disso, os aposentados não recebem esses benefícios e, portanto, ficariam de fora de qualquer ganho.