
(REUTERS/Dado Ruvic)
Uma nova ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pela Anthropic tem chamado a atenção de especialistas em tecnologia, instituições financeiras e órgãos reguladores ao redor do mundo. Batizado de Claude Mythos, o modelo foi apresentado em abril de 2026 com a proposta de identificar vulnerabilidades em sistemas computacionais de forma mais rápida e eficiente do que especialistas humanos.
Segundo a empresa, a tecnologia é capaz de analisar códigos, localizar falhas de segurança e apontar possíveis formas de exploração dessas brechas. Em testes realizados pela própria Anthropic, o sistema teria encontrado mais de 10 mil vulnerabilidades consideradas graves ou críticas, incluindo falhas em projetos de código aberto, sistemas operacionais e navegadores amplamente utilizados.
Entre os resultados divulgados pela companhia está a identificação de uma vulnerabilidade que, segundo a empresa, permaneceu sem detecção por 27 anos.
Por que o setor financeiro está preocupado?
O avanço da tecnologia gerou preocupação especialmente entre bancos, seguradoras, fintechs e autoridades responsáveis pela estabilidade financeira.
Isso porque muitas instituições operam sistemas complexos, alguns deles desenvolvidos há décadas, que podem conter falhas difíceis de identificar por métodos tradicionais. Com o uso de inteligência artificial, o processo de busca por vulnerabilidades pode ser realizado em questão de minutos e simultaneamente em diversos sistemas.
Outro fator apontado por especialistas é a interdependência tecnológica do setor. Grande parte das instituições utiliza os mesmos provedores de computação em nuvem, bibliotecas de software e plataformas digitais. Dessa forma, uma única falha em componentes amplamente utilizados pode afetar centenas de organizações ao mesmo tempo.
O tema chegou a ser discutido em reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI), diante das possíveis implicações para a segurança digital global.
A ameaça é real?
Apesar das preocupações, especialistas independentes afirmam que ainda faltam avaliações externas para medir o real potencial da ferramenta.
Como o modelo permanece em acesso restrito, pesquisadores que não fazem parte dos testes da Anthropic ainda não tiveram a oportunidade de validar de forma independente os resultados apresentados pela empresa.
Entre os questionamentos levantados está a possibilidade de que a divulgação dos riscos também faça parte de uma estratégia comercial. A Anthropic oferece soluções voltadas justamente para proteção contra ameaças cibernéticas, o que levou alguns analistas a apontarem um possível conflito entre a divulgação do problema e a venda de ferramentas para combatê-lo.
Por outro lado, especialistas destacam que a existência de interesse comercial não elimina a possibilidade de a ameaça ser legítima. O consenso atual é que o avanço da inteligência artificial deve acelerar tanto a capacidade de defesa quanto a de identificação de vulnerabilidades em sistemas digitais.
Como funciona o Claude Mythos?
Diferentemente de ataques tradicionais realizados por hackers humanos, que exigem tempo e conhecimento especializado, o Claude Mythos utiliza inteligência artificial para analisar grandes volumes de código automaticamente.
O sistema consegue identificar padrões, localizar falhas conhecidas e sugerir caminhos para exploração de vulnerabilidades. Segundo a Anthropic, o objetivo é auxiliar empresas e instituições a corrigirem problemas antes que sejam explorados por criminosos.
O debate agora gira em torno de como governos, empresas e reguladores devem se preparar para um cenário em que ferramentas de inteligência artificial possam acelerar tanto a proteção quanto os riscos relacionados à segurança digital.