Os comerciantes atribuem o resultado ao aumento nos impostos; o consumidor está preocupado com a crise econômica e por isso vem restringindo os gastos
Foto/Jairo Chagas
Segundo Miguel Faria, a incerteza em torno da economia do país gera desânimo e medo de consumir
Vendas no comércio caem pelo sexto mês consecutivo no país. Em julho, na comparação com junho, a baixa foi de 1%, a maior, considerando o mês, desde 2000, quando começou a ser realizado o levantamento pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os comerciantes atribuem o resultado ao aumento nos impostos; o consumidor está preocupado com a crise econômica e por isso vem restringindo os gastos.
De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas, Miguel Faria, a incerteza em torno da economia do país gera desânimo e medo de consumir. “Muitas pessoas analisam que, se tem crise, é preciso diminuir o consumo, é preciso resguardar. É ruim essa situação econômica que o Brasil enfrenta; o comércio está com dificuldades”, relata Miguel. Ele destaca que a situação é passageira, mas é preciso que os governantes tenham pulso firme para fazer os cortes realmente necessários.
Ainda conforme os dados do IBGE, em relação ao mês de julho deste ano, se comparado com 2014, a retração foi ainda maior, de 3,5%. “Essa retração nos preocupa porque, no mês de julho do ano passado, as vendas já foram ruins por conta da Copa do Mundo, então, o levantamento mostra que este ano, mesmo sem a Copa, foi pior”, explica.
Em relação a julho do ano passado, o varejo caiu na maioria dos ramos. As baixas mais expressivas foram nos segmentos de móveis e eletrodomésticos (-12,8%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-2,1%) e tecidos, vestuário e calçados (-8,1%). De acordo com o IBGE, a queda das vendas de móveis e eletrodomésticos aconteceu por se tratar de uma atividade cujas vendas são associadas às condições de crédito. O comportamento este ano vem sendo afetado pelo aumento dos custos de financiamento, evidenciado pela elevação na taxa de juros.
“Quando o consumo de determinados produtos retrai, o Governo corta alguns tributos e o preço fica mais atrativo. Foi isso que aconteceu com os eletrodomésticos e móveis há algum tempo e é o que deveria ser feito novamente”, explica Miguel. O dirigente lojista ressalta que os comerciantes estão esperançosos com o aumento das vendas no fim do ano, para que ao mesmo feche 2015 de forma estável, sem crescimento, mas sem queda.