Médico alerta sobre o perigo da automedicação, que pode contribuir para o agravamento do quadro do paciente ou até mesmo atrapalhar o diagnóstico das infecções
Foto/Neto Talmeli
O infectologista Frederico Zago explica que o uso de antibióticos para tratar infecções ocorre apenas quando a causa é bacteriana
Mal-estar, febre ou hipotermia podem ser indícios de uma infecção. De acordo com o clínico geral e infectologista Frederico Zago, os sinais não aparecem, necessariamente, antes do problema. Ele alerta que quanto mais tempo passar antes de iniciar o tratamento, mais grave pode se tornar uma infecção, aumentando o risco de complicações. “Temos de lembrar que existem fatores preponderantes, como, por exemplo, a idade, a presença de outras patologias, o uso de outros medicamentos de maneira crônica”, pondera.
Frederico Zago afirma que as infecções são doenças causadas por micro-organismos patogênicos em ação no corpo humano, e não somente por bactérias. “Podem ser causadas por vírus, fungos, protozoários, algumas algas e até proteínas infectantes, chamadas de Príons”, esclarece. O especialista alerta que a falta de higiene pode ser fator determinante para o aparecimento desse mal. “A ausência de limpeza de feridas pode levar a complicações, inclusive, gerando infecções graves. Por isso, todo ferimento deve ser limpo várias vezes ao dia”, reforça Frederico Zago.
Segundo o infectologista, nem sempre o combate às infecções é feito com antibióticos. O médico explica que o uso deles ocorre apenas quando a causa é bacteriana. Para contaminações decorrentes de fungos, protozoários ou outros vírus, utilizam-se diferentes medicamentos, como anti-inflamatórios e drogas vasoativas, dependendo da infecção e gravidade.
Nesse sentido, o infectologista alerta para o perigo da automedicação, que pode contribuir para o agravamento do quadro do paciente ou até mesmo atrapalhar o diagnóstico das infecções. “Às vezes, são usados antibióticos sem necessidade, aumentando a resistência das bactérias. Outras vezes, pacientes usam medicamentos e doses errados”, destaca.
O infectologista afirma, ainda, que esse tipo de atitude contribui para o aumento da resistência dos micro-organismos aos antimicrobianos. “Todo procedimento médico tem seus riscos e benefícios, e a infecção hospitalar é algo que pode ocorrer mesmo se tomando todos os cuidados possíveis. Por isso, a sua detecção precoce e intervenção correta podem contribuir muito para a rápida melhora e cura”, completa Frederico Zago.