Relatório "Lidando com a crise inflacionária em curso", feito pelo Departamento de Estatística da Euroconsumers e distribuído no Brasil pela entidade de defesa do consumidor Proteste, aponta que os brasileiros mudaram os hábitos de consumo em razão dos desdobramentos da pandemia e a guerra na Ucrânia, contexto geopolítico que elevou a inflação a altos patamares.
O levantamento foi feito na Bélgica, Itália, Portugal, Espanha e no Brasil. No cenário local, a inflação atingiu 4,78% no ano, como mostram os dados do IPCA de maio. Nos últimos 12 meses, o indicador mostra uma variação de 11,73%.
Este panorama forçou os brasileiros a mudar os hábitos de consumo em relação a moradia, energia e água; nutrição; lazer e cultura; mobilidade e até mesmo cuidados com a saúde.
Segundo o levantamento, 39% das pessoas consideram que sua situação financeira está pior do que no ano passado. Já 16% afirmam estar melhor. Os outros 45% dizem estar na mesma situação.
Moradia, energia e água. De acordo com o levantamento, 91% dos consumidores brasileiros mudaram seu comportamento em relação à moradia, energia e água.
A pesquisa ainda mostrou que 70% dos respondentes começaram a desligar mais os eletrodomésticos ou evitar usá-los para poupar eletricidade, enquanto 41% disseram ter começado a racionar o uso de água.
Nutrição. Outros 91% disseram ter mudado seus hábitos de nutrição. Segundo a pesquisa, 65% passaram a comprar marcas mais baratas nos mercados. Já 49% passaram a comprar menos carne, peixe ou frango e 41% disseram ter cortado itens não-essenciais de alimentação.
Lazer e cultura. Segundo 85% mudaram seu consumo de lazer e cultura. 47% afirmam ter reduzido atividades sociais como frequentar restaurantes ou bares, já 39% disseram ter reduzido idas ao teatro, cinema, exposições, etc. Já 36% disseram ter adiado ou cancelado a compra de produtos de lazer como jogos de videogame e outros hobbies.
Mobilidade. O levantamento ainda mostrou que 83% mudaram seus gastos com mobilidade.
Segundo a pesquisa, 45% passaram a usar menos o carro desde que a guerra começou e passou a afetar os combustíveis. 33% disseram ter passado a andar mais a pé ou de bicicleta e 29% começaram a usar mais transporte público.
Saúde. Até os cuidados com saúde não saíram ilesos. 52% dos respondentes disseram ter mudado seus gastos nesse segmento.
Algumas das ações dos consumidores foram cancelar e adiar consultas ou tratamentos odontológicos (citado por 29%), cancelar ou adiar consultas e tratamentos médicos (apontado por 26%) e até mesmo o cancelamento de compra de óculos e aparelhos auditivos (citado por 20%). Nem a terapia saiu ilesa. Segundo a pesquisa, 13% adiaram ou cancelaram sessões.