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Inteligência Artificial no recrutamento: a adaptação da candidatura

Publicado em 20/04/2022 às 14:38Atualizado em 18/12/2022 às 19:22
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Já faz tempo que a Inteligência Artificial vem sendo usada nos processos de recrutamento e seleção de pessoal, mas a pandemia gerou um novo impulso à aplicação de IA na área de recursos humanos. Com o aumento da inclusão digital e da fluidez nos modelos de trabalho, quem busca por uma oportunidade profissional deve atualizar os seus recursos — evitando que a candidatura perca terreno na concorrência com pessoas mais adaptadas a esse cenário.

A Inteligência Artificial é uma ferramenta valiosa no recrutamento profissional porque torna as contratações mais ágeis e eficazes. Já na outra ponta dessa conexão, o uso de AI parece aumentar o desafio na disputa por boas vagas de emprego. Tanto do lado do RH quanto dos talentos, ainda há muita gente com receio de que isso desumanize os processos seletivos ou incorpore certos vieses discriminatórios. Por isso, é bom lembrar que há uma imensa capacidade de aprendizagem (e de inteligência humana) envolvida em cada aspecto dessa tecnologia.

Assim como as empresas devem ser estratégicas ao implementar a AI na aquisição e gestão de RH, as pessoas que se candidatam a empregos hoje em dia precisam se adaptar a esse universo e otimizar suas estratégias para trazer luz ao próprio potencial de sucesso em uma contratação.

Entender o padrão dos processos seletivos é a chave para tomar decisões mais pragmáticas e acertadas ao montar um currículo, se cadastrar em sites de empregos, fazer networking, interagir em redes profissionais e ter um bom desempenho nas entrevistas de emprego.

Como otimizar as candidaturas a emprego na era da IA no recrutamento

Se o uso de Inteligência Artificial já está mudando a forma como o recrutamento é feito hoje em dia, a tendência é que sua influência se torne cada vez mais abrangente no mercado de trabalho. Muitas adaptações devem acontecer naturalmente ao longo do tempo na área de Recursos Humanos, mas quem quer se encaixar em um bom emprego pode acelerar esse processo com um passo tão simples quanto a revisão e atualização do seu currículo. 

Os sistemas de rastreamento de candidatos (ATS) estão entre as aplicações mais conhecidas da IA na cultura organizacional brasileira. Embora os esses softwares de triagem estejam bastante normalizados entre as empresas, há quem ainda não leve isso em consideração ao estruturar um currículo em cada aspecto de seu formato e conteúdo.

A mera alteração no modo de apresentar as datas (por exemplo, incluindo mês e ano) pode fazer diferença na forma com que o documento é processado por esses sistemas. Por isso, otimizar o currículo está entre as principais maneiras de conseguir que a Inteligência Artificial funcione a favor de uma candidatura — ao mesmo tempo em que realiza sua função de priorizar os fatores de seleção determinados pelo RH.

Estratégias para tornar o currículo mais amigável para IA

Quando uma candidatura é relevante em relação aos parâmetros de contratação para uma determinada vaga de emprego, o currículo deve refletir isso com o máximo de clareza para passar pelos mecanismos de triagem que usam Inteligência Artificial.

Para isso, a pessoa deve estar atenta aos seguintes aspectos:

A formatação e o design do currículo

Os modelos de currículo simples ou tradicional costumam seguir um estilo de formatação que é amigável para os sistemas de ATS, mas é importante observar alguns requisitos para favorecer o rastreamento das informações. Por exemplo, deve-se evitar o posicionamento de detalhes importantes do conteúdo no cabeçalho ou rodapé do documento, além do uso de colunas e tabelas, realces em negrito, itálico etc. que possam ser interpretados como “quebras” no texto.

A estrutura cronológica é uma escolha segura para a formatação do currículo, pois facilita a compreensão dos principais dados da candidatura, mas o formato híbrido também é uma opção interessante por destacar o mix de habilidades da pessoa — desde que as seções essenciais do documento sejam mantidas.

Pode haver uma maior preocupação quando a pessoa pretende transmitir aspectos de sua personalidade e capacidade profissional através do design do currículo. Isso ainda não é tão reconhecível em termos de IA, o que pode tornar a equação entre imagem e conteúdo mais desafiadores nesses casos.

O uso de elementos gráficos, fontes e marcadores personalizados não impacta os mecanismos da mesma forma que poderia estimular o olhar humano. Pelo contrário, isso pode até atrapalhar o processamento dos dados, impedindo que o currículo chegue à tela das pessoas que iriam ter contato com a linguagem visual adotada pelo candidato ou candidata.

A experiência na avaliação do conteúdo

Assim como um currículo com design diferenciado pode demandar um trabalho mais cuidadoso para resultar na experiência desejada ao olhar humano, é importante buscar a fluência e facilidade de leitura do conteúdo pensando tanto nas impressões humanas quanto nas avaliações feitas por Inteligência Artificial.

Mais do que evitar qualquer tipo de barreira que possa confundir os algoritmos, a apresentação da candidatura pode se beneficiar com o uso inteligente de palavras-chave e dados mensuráveis. Quando isso é combinado a um estilo de escrita com frases concisas e altamente objetivas, o currículo se torna ainda mais atraente para as ferramentas e para especialistas em RH.

Usar palavras-chave extraídas do anúncio de emprego é uma das práticas recomendadas para a criação de currículos mais amigáveis para os softwares de recrutamento profissional com IA. O texto também pode se tornar mais contundente com uso de termos associados de forma específica ao mercado de trabalho onde se está buscando uma colocação. Entretanto, o efeito pode perder sua força se isso não for incorporado de forma natural ao conteúdo — ou, pior, se a escolha das palavras não for condizente com o que a pessoa realmente tem a oferecer.

Além disso, essa estratégia funciona melhor com a criação versões personalizadas do currículo de acordo com as peculiaridades de cada vaga. Ainda que isso implique em mais de trabalho na preparação das candidaturas, a iniciativa de pesquisar a cultura da empresa e avaliar a sintonia com os próprios anseios e valores é um fator decisivo no processo de personalização.

Os desafios para iniciantes e talentos em transição profissional

À medida que a economia volta a aquecer e são retomados os incentivos à aquisição de talentos, o uso de Inteligência Artificial no recrutamento preocupa as pessoas que pretendem ingressar no mercado de trabalho ou mudar de carreira. É fácil compreender por que isso pode dificultar a vida de quem tem pouca (ou nenhuma) experiência profissional na área para a qual vai se candidatar a um emprego. Porém, isso não impede a adaptação da candidatura para um bom desempenho inicial nesse processo.

Muitas vezes, a qualificação para uma próxima etapa do recrutamento pode ser medida pela formação e as habilidades desejáveis no emprego. Afinal, os sistemas são configurados para selecionar candidatas e candidatos com base nas demandas da equipe de RH para o cargo. Isso significa que a pessoa pode refletir sobre o que tem de mais interessante a oferecer à empresa e roteirizar o seu conteúdo da forma mais adequada para passar pela triagem com IA.

Uma boa indicação nesses casos é a de fazer um resumo profissional no início do currículo para que o potencial de adequação à vaga fique claro quando o documento passar por uma avaliação humana. Outra opção nesses casos é o reforço da candidatura através do networking, com envio de uma carta de apresentação à uma pessoa ou setor com relação direta com o cargo.

Encarando a Inteligência Artificial nas entrevistas de emprego

Se uma entrevista de emprego com a dinâmica tradicional já gera uma certa insegurança em candidatos com ou sem experiência, é de se imaginar a apreensão dessas pessoas diante da proposta de uma entrevista de emprego com Inteligência Artificial.

Por mais que o processo não pareça tão diferente das apresentações em vídeo ou reuniões por videoconferência, que são atividades normais hoje em dia, a adaptação da candidatura começa pelo entendimento do que motiva a empresa a adotar a IA nessa etapa das seletivas profissionais.

A opção por entrevistas conduzidas sem a interação humana pode significar que o objetivo da equipe de RH seja de reduzir vieses discriminatórios e aumentar a imparcialidade na tomada de decisões. Por outro lado, pode-se deduzir que uma postura opinativa dos entrevistados não seja condizente com as expectativas nesse contexto de seleção. Já a segurança no tom de voz e nas expressões faciais da pessoa ganham tanta importância quanto a capacidade de responder às questões de forma objetiva e, de preferência, usando algumas palavras-chave.

Ainda que a tecnologia não esteja tão sofisticada a ponto de reconhecer outros aspectos intangíveis, tais como os traços de personalidade que melhor se encaixam no perfil da vaga, a capacidade de cognição pode ser demonstrada pela acuidade das respostas. Afinal, isso depende da atenção dos entrevistados às orientações e perguntas, além da elaboração de um raciocínio completo dentro do limite de tempo estipulado.

Para adaptar a candidatura à Inteligência Artificial nessa etapa do recrutamento e conseguir ter um bom desempenho de acordo com o exposto neste artigo, a principal recomendação é treinar e fazer simulações.

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