
Governo cita a compra de mais de 1.600 novas viaturas da PCMG. (Foto/Rodney Costa/O Tempo)
O anúncio do governo de Minas Gerais de um investimento de mais de R$ 4,3 milhões à Polícia Civil (PCMG) para a modernização dos espaços da Academia de Polícia Civil (Acadepol) não satisfaz, ao menos de forma unânime, a categoria. Na avaliação do Sindicato dos Escrivães e Oficiais Investigadores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindep/MG), há outras prioridades que deveriam receber atenção do estado e destinação de recursos, como defasagem salarial, falta de efetivo e sucateamento das unidades.
Como divulgado pelo governo, a verba milionária deve financiar a revitalização da fachada do prédio principal da Academia de Polícia, a reestruturação dos prédios, a climatização das áreas de ensino e a reforma do ginásio. Para o presidente do sindicato, Marcelo Horta, porém, poderia ter sido feito um estudo sobre as prioridades da instituição.
“Esse anúncio de investimentos não contempla as necessidades da Polícia Civil. Os valores anunciados são necessários, mas irrelevantes dentro da conjuntura atual, após mais de seis anos de abandono por esse mesmo governo. Além das estruturas físicas defasadas, é preciso lembrar que há quase 50% de defasagem salarial acumulada por perdas inflacionárias”, criticou.
Horta cita ainda um déficit de mais de 6 mil policiais no efetivo da PCMG, que, segundo ele, não será suprido pelos concursos em andamento. “Isso significa que estamos trabalhando dobrado e recebendo pela metade. Os concursos anunciados pelo governo sequer repõem os desligamentos ocorridos no mesmo período”, continuou o presidente do Sindep/MG.
Segundo o dirigente, outra prioridade seria a adequação da instituição à Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis (Lei nº 14.735/2023), que estabelece normas gerais de funcionamento para as polícias em todos os estados e no Distrito Federal, padronizando aspectos como estrutura organizacional, ingresso e progressão na carreira, princípios institucionais e diretrizes de atuação.
“Também não percebemos interesse em modernizar os métodos de trabalho e reestruturar a organização da Polícia Civil. Desde 2023 foi aprovada essa nova legislação nacional, moderna e menos burocrática, que permitirá maior eficiência do trabalho policial, e até hoje o estado de Minas não conseguiu se adequar a essa lei, o que traz prejuízos para a evolução institucional”, analisou. A reportagem demandou a Polícia Civil sobre as queixas e aguarda retorno.
Em coletiva, Zema e vice Simões falaram em investimentos à instituição
Durante a coletiva, o governador Romeu Zema (Novo) apresentou investimentos recentes na Polícia Civil de Minas Gerais, citando a reforma ou inauguração de 200 unidades da PCMG, a renovação de cerca de 6 mil armamentos e a compra de mais de 1.600 novas viaturas.
“Em todo o estado, trocamos armamentos, que hoje são mais modernos, e estamos com mais de 1.600 novas viaturas. Isso tem contribuído muito para que Minas Gerais seja considerado um dos estados mais seguros do Brasil. É um trabalho que continua. Fico muito feliz com esse avanço aqui. Estamos em um prédio histórico, onde boa parte desse investimento será feita para preservar essas características”, afirmou o governador, na Academia de Polícia Civil (Acadepol), que passará por revitalização.
Além disso, o vice-governador Mateus Simões (PSD) reforçou o compromisso com a renovação do efetivo por meio de concursos da segurança pública. “No dia 16 de janeiro começa uma nova turma de formação na Acadepol, com candidatos selecionados no último concurso. Temos o compromisso de nomear todos os aprovados, dentro das vagas disponibilizadas, e de abrir novos concursos sempre que houver vagas disponíveis. E isso não é só na Polícia Civil. A Polícia Militar, neste momento, tem o maior grupo de policiais em formação da sua história: 3 mil soldados. Também há incorporações no Corpo de Bombeiros. Isso está acontecendo em todas as forças”, explicou.
Fonte: O Tempo