
A embaixada americana na Arábia Saudita foi atingida por dois drones iranianos, que provocaram incêndio e levaram ao fechamento da representação diplomática (Foto/Reprodução)
Israel bombardeou Teerã nesta terça-feira (3) e iniciou uma incursão terrestre no sul do Líbano, enquanto o Irã atacou a embaixada dos Estados Unidos em Riade e lançou drones contra países do Golfo. No quarto dia de confrontos, o conflito no Oriente Médio segue sem perspectiva de cessar-fogo a curto prazo.
Segundo o Crescente Vermelho iraniano, o número de mortos no Irã já ultrapassa 780 desde o início da ofensiva, no sábado, quando Estados Unidos e Israel realizaram bombardeios conjuntos contra o território iraniano. Os dados não foram verificados de forma independente.
A embaixada americana na Arábia Saudita foi atingida por dois drones iranianos, que provocaram incêndio e levaram ao fechamento da representação diplomática. A missão dos EUA no Kuwait também suspendeu as atividades. Explosões foram ouvidas no centro de Riade, de acordo com relatos de jornalistas e testemunhas.
Diante da escalada, Washington confirmou a morte de seis soldados e orientou cidadãos americanos a deixarem o Oriente Médio, do Egito em direção ao leste, abrangendo 14 países.
O Irã intensificou ataques contra alvos americanos na região. A Guarda Revolucionária afirmou que abriria “as portas do inferno” contra Estados Unidos e Israel e reivindicou ofensiva contra uma base aérea americana no Bahrein. Drones iranianos também atingiram centros de dados da Amazon no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos. O Catar informou ter interceptado ataque contra o Aeroporto Internacional de Hamad.
Em Teerã, explosões continuam sendo registradas, assim como nas cidades de Karaj e Isfahan. Israel anunciou ataques aéreos contra a sede da presidência iraniana e o Conselho Supremo de Segurança Nacional. Também afirmou ter atingido a emissora estatal, que declarou manter a programação no ar.
A agência da União Europeia para o Asilo manifestou preocupação com um possível fluxo de refugiados “sem precedentes” a partir do Irã, país com cerca de 90 milhões de habitantes.
Alemanha, Reino Unido e França sinalizaram que podem adotar “ações defensivas” para neutralizar lançadores de mísseis iranianos. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que eventual medida seria considerada “ato de guerra”.
No Líbano, Israel iniciou incursão terrestre na região de fronteira, segundo fonte militar libanesa. Tropas teriam avançado a partir das áreas de Kfarkila e Khiam.
Os ataques israelenses no país, realizados em resposta a disparos do Hezbollah, deixaram 52 mortos, conforme autoridades locais — número também não verificado de forma independente. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que ao menos 30 mil pessoas estejam deslocadas.
O Hezbollah declarou ter atingido três bases militares em território israelense.
Israel afirma que a operação tem como objetivo impedir o desenvolvimento de armas nucleares e neutralizar capacidades balísticas iranianas. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que, após o conflito de 12 dias em junho de 2025, o Irã teria iniciado a construção de novas instalações e bunkers para proteger seus programas militares.
Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu no sábado que os iranianos derrubem o regime em vigor desde 1979. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que essa não é a meta oficial da guerra, que pode se estender por semanas ou mais.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, rebateu declarações americanas nas redes sociais e afirmou que “nunca houve uma suposta ameaça iraniana”.