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Juiz determina a reintegração de posse de área invadida no Ozanan

Posseiros de área do município localizada no bairro Cidade Ozanan, nos fundos do aeroporto, prometem não arredar o pé, mesmo diante da notícia...

Marilu Teixeira
Publicado em 03/08/2018 às 10:18Atualizado em 20/12/2022 às 13:28
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Posseiros de área do município localizada no bairro Cidade Ozanan, nos fundos do aeroporto, prometem não arredar o pé, mesmo diante da notícia de que a Prefeitura negocia com a Polícia Militar a retirada das mais de mil famílias instaladas no espaço, antes destinado ao povo cigano.

Liminar para reintegração de posse já foi deferida pelo juiz de Direito da 1ª Vara Civil, Lúcio Eduardo de Brito, que, inclusive, determina ao oficial de Justiça que solicite força policial militar e da Guarda Municipal para o cumprimento da liminar.

O magistrado lembra tratar-se de invasão recente de terras públicas, conforme escritura acostada na inicial com pedido de liminar para reintegração de posse. Mais que determinar a reintegração, Brito arbitrou multa diária de R$ 200 para quem não acatar a ordem judicial.

Os posseiros pretendem ignorar a decisão e prometem enfrentar a polícia. Alegam não ter para onde ir e a maioria, segundo informações, é formada por pessoas que viviam de aluguel, com até cinco meses em atraso. “Não temos como voltar para casa”, afirma o jardineiro Geraldo Aparecido Souza, que está vivendo com a mulher e os três filhos numa pequena casa de madeirite erguida com o dinheiro da venda do aparelho de TV.

A desempregada Lucimeire de Andrade conta que estava com três meses de aluguel atraso. Ela estava inscrita na Cohagra desde 2005, mas desistiu de tentar conseguir uma casa depois de ter providenciado a documentação várias vezes, a pedido da Companhia. Com quatro filhos pequenos, teme a ação da polícia no cumprimento da reintegração de posse.

A dona de casa Claudiana Rodrigues da Silva conta que não tem como voltar para a antiga casa, pois o aluguel está atrasado há cinco meses.

Desempregado há quatro meses, o eletricista Ilton César Oliveira também vem passando dificuldades com a família.

Sem água, energia e alimentos, os posseiros estão vivendo de ajuda e da solidariedade entre eles. “Quem tem algum alimento divide com os demais”, disse Lucimeire, contando que no local há famílias inteiras passando fome e frio, a exemplo de uma conhecida que acaba de sair da maternidade, após uma cesariana.

Pacífica. Temendo a ação da Polícia, os posseiros procuraram o Jornal da Manhã em busca de apoio na defesa da permanência das famílias que invadiram a área no dia 19 de março.

Na Prefeitura, o assessor Márcio Gennari nega qualquer movimentação no sentido de arregimentar a polícia para proceder à retirada dos posseiros. De acordo com ele, o prefeito Anderson Adauto está em Brasília conhecendo detalhes dos programas habitacionais anunciados pelo governo. Disse que o chefe do Executivo vai se encontrar com uma comissão de posseiros na sexta-feira (3) para acertar detalhes da reintegração da posse, mas garante: será de forma tranquila, com o pessoal consciente da necessidade de deixar a área.

Na Polícia Militar não foi possível saber se a Prefeitura solicitou apoio, uma vez que o comandante do 4º BPM, tenente-coronel Sidnei Araújo, está em viagem.

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